CGD "desmente formalmente" quaisquer ligações ao caso da tentativa de assalto a um banco em Miami
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) desmentiu "formalmente" quaisquer ligações entre a instituição e a tentativa de assalto protagonizada pelo empresário português Paulo Almeida a um banco em Miami, EUA.
A eventual ligação da CGD a esta tentativa de assalto é feita nas edições de hoje e de domingo do Diário de Notícias, que aponta três funcionários do banco português e o luso-americano Allen Shariff como estando por detrás de uma alegada trama para incriminar Paulo Almeida.
O empresário Paulo Almeida, de Fornos de Algodres, Guarda, ligado ao sector das carnes, é o alegado autor de uma tentativa de assalto ao Commercial Bank of Florida, em Miami, a 27 de Março, onde se deslocou de cara descoberta apenas com dois telemóveis e uma pasta.
O banco foi informado via telefone de que Paulo Almeida, que não fala inglês, estava ali para um assalto.
A suspeita sobre a autoria da chamada telefónica para o banco recaiu sobre Allen Shariff, um luso-americano de 27 anos com cadastro nos EUA e um mandado de captura neste país, embora, por decisão do Tribunal da Relação de Coimbra, sem validade em Portugal.
A CGD surge ligada a esta tentativa de assalto através dos três funcionários apontados pelo DN.
Segundo o jornal, em causa estará uma tentativa de desvio bancário protagonizado por "um gerente e dois directores regionais" da CGD, com a colaboração de Allen Shariff, sobre uma hipoteca de um matadouro pertença de Paulo Almeida no valor de mais de um milhão de euros e que nunca chegaram às mãos deste.
Ainda segundo a versão do DN, Paulo Almeida terá sido alvo de uma "armadilha" para que fosse preso, como sucedeu, nos EUA, para que ficasse impossibilitado de falar no processo referente à hipoteca sobre o seu matadouro da qual, alegadamente, não viu a cor do dinheiro.
O caso da hipoteca sobre o matadouro teve lugar há cerca de um ano e está a decorrer um processo judicial que envolve Paulo Almeida e a instituição bancária, sendo advogado de acusação João Nabais.
No entanto, Francisco Mendia, da empresa de comunicação Cunha Vaz e Associados, que fala em nome da CGD, em declarações à agência Lusa, "desmente formalmente" qualquer relação do banco com o assalto de Miami e adianta que a instituição bancária já entregou o caso aos seus serviços jurídicos para "agir em conformidade".
A Cunha Vaz e Associados sublinha ainda que dos três funcionários da CGD, colocados nos distritos da Guarda e Viseu, referidos pelo DN como estando a ser alvo de um processo interno, versão que a Caixa nega, um "chegou à idade da reforma", um segundo "foi promovido de sub-gerente a gerente" e um terceiro "passou de gerente a director regional", nos Açores.
Francisco Mendia acrescentou que se a CGD promoveu estes funcionários "é porque nada tem a apontar-lhes".
O pagamento a João Nabais para que este fizesse avançar o processo contra a CGD foi feito pelo tio de Allen Shariff, José Guedes, um empresário da construção civil, em Fornos de Algodres, tendo o próprio contado à Lusa que o fez "porque o Paulo (Almeida) não tinha dinheiro para pagar ao advogado".
José Guedes e Paulo Almeida residem ambos no concelho de Fornos de Algodres, Guarda.
Apesar de Paulo Almeida estar detido nos EUA, onde vai ser julgado pela tentativa de assalto, segundo fontes judiciais contactadas pela Lusa, se se confirmar a sua prisão efectiva, isso não o vai impedir de testemunhar no processo que mantém contra a CGD.
Isto porque, segundo as mesmas fontes, Almeida poderá deslocar-se a Portugal através da Interpol ou falar por vídeo-conferência, como já sucedeu noutras ocasiões.
Há ainda a juntar a este cenário a possibilidade de Paulo Almeida, se se provar em tribunal que foi alvo de uma tramóia com o objectivo de o encarcerar nos EUA, ser considerado inocente e regressar em pouco tempo a casa.
As fontes da Lusa admitem que, a confirmar-se que este não estava ciente de que estava a protagonizar uma tentativa de assalto e que, como dizem pessoas que lhe são próximas, a sua intenção era levantar um empréstimo previamente negociado, "o mais certo é sair em liberdade".
Paulo Almeida dirigiu-se à dependência do Commercial Bank of Florida, em Miami, unicamente com uma pasta preta na mão e dois telemóveis, tendo saído algemado, ficando a aguardar julgamento em prisão preventiva.