Chefe do Estado-Maior-General reconhece lacunas de equipamentos
O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA )reconheceu, em Beja, que existem "lacunas de equipamentos" na ge neralidade dos sectores daquelas forças de defesa nacional, mas salientou que as dificuldades estão a ser corrigidas.
"As forças armadas portuguesas têm lacunas de equipamentos (...)e, em t odos os sectores, há em Portugal, como em todos os países, problemas para resolv er", disse Luís Valença Pinto.
O general falava aos jornalistas depois de uma referência breve às lacu nas no seu discurso durante a cerimónia militar de condecoração dos Estandartes Nacionais das 1ª e 2ª companhias do Centro de Tropas Comandos, que serviram em c ampanha no teatro de operações no Afeganistão.
As duas companhias, num total de cerca de 300 homens, foram hoje homena geadas, em Beja, com a imposição da medalha de ouro de Serviços Distintos atribu ída pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
Entre as várias lacunas, Valença Pinto referiu "problemas de modernizaç ão" da capacidade oceânica da Marinha e da esquadra de aviões de combate F16 da Força Aérea, além de "necessidades básicas" de renovação de armas ligeiras.
"Estas dificuldades são plenamente conhecidas e, atrevo-me a dizer, tot almente partilhadas pelos responsáveis políticos", disse o general, lembrando qu e "estamos num processo de correcção dessas lacunas".
Neste sentido, Valença Pinto lembrou que "o Estado tem um instrumento m uito importante, que é a Lei de Programação Militar" que "dedica largas centenas de milhões de euros para a superação destas dificuldades, nos próximos 18 anos" .
"Ainda que haja outras Forças Armadas de países congéneres que têm mel hores disponibilidade de armamento e equipamento, as nossas forças ombreiam e, p or regra, até ultrapassam os níveis de desempenho das forças de outros países" s alientou também Valença Pinto.
No seu primeiro discurso público como CEMGFA, Valença Pinto lembrou tam bém as restrições que a condição militar "impõe", nomeadamente as restrições dos militares no direito à greve e à manifestação.
Questionado pelos jornalistas sobre se esta parte do discurso seria uma mensagem aos militares que participaram no "passeio do descontentamento" contra os cortes orçamentais na Defesa, que decorreu em Lisboa em Novembro de 2006, Va lença Pinto limitou-se a dizer que "as Forças Armadas, como instituição, não têm nada a ver com essas manifestações". O CEMGFA considerou "justas" e uma "honra" para os militares, para o Ex ército e para as Forças Armadas, a condecoração colectiva atribuída por Cavaco S ilva às 1ª e 2ª companhias do Centro de Tropas Comandos.
"É o reconhecimento público dos vossos serviços excepcionais, relevante s e distintos, prestados em ambiente de campanha no difícil teatro de operações do Afeganistão", disse, salientando a "coragem" com que os militares enfrentaram "todos os tipos de violência e de dificuldades" que encontraram.
Depois de uma primeira missão entre Agosto de 2005 e Fevereiro de 2006, a 2ª Companhia de Comandos vai partir, em meados deste mês, para uma nova missã o no Afeganistão.
Com um efectivo de 157 militares, a 2ª Companhia de Comandos irá render , no final deste mês, os 153 homens do 1º Batalhão de Infantaria Pára-quedista d a Brigada de Reacção Rápida que estão em Cabul.
A 1ª Companhia de Comandos esteve em missão em Cabul entre Fevereiro e Agosto de 2006.
A cerimónia de hoje inclui ainda uma homenagem a todos os militares por tuguesas que morreram ao serviço das Forças Armadas.
Uma homenagem que decorreu sobre o olhar atento e comovido da viúva do 1º-Sargento da 2ª Companhia de Comandos, João Paulo Roma Pereira, de 33 anos, qu e foi morto, a 18 de Novembro de 2005, nos arredores de Cabul, numa explosão que atingiu a viatura blindada onde seguia.