Cheias na Régua provocaram "avultados prejuízos"

As cheias no Peso da Régua provocadas pela subida do Rio Douro provocaram "avultados prejuízos" nos estabelecimentos comerciais e infra-estruturas públicas, disse o presidente da autarquia local, Nuno Gonçalves.

Agência LUSA /

Ao final da tarde de sexta-feira e durante a madrugada de hoje, o cauda l do Douro subiu cerca de 10 metros acima dos seus níveis normais e inundou as a venidas do Douro e a João Franco, da Régua.

Nuno Gonçalves disse à Lusa que os prejuízos causados pela subida do Do uro "são avultados", mas salientou que, só poderão ser devidamente contabilizado s quando o nível das águas começar a descer.

A principal artéria comercial da Régua, a João Franco, ficou submersa c om cerca de um metro de altura de água e registaram-se inundações em cerca de 20 estabelecimentos comerciais, entre bares, restaurantes, bancos, gelatarias, pas telarias ou garagens.

No Lugar da Barroca, na avenida do Douro, uma família, pais e dois filh os, viram a sua casa ficar inundada e tiveram que ser realojados numa residencia l da cidade.

Ainda nesta zona, mais três habitações ficaram com o piso térreo submer so, tendo sido necessário remover os bens para os pisos superiores.

Nuno Gonçalves salientou que todos os comerciantes e habitantes das zon as afectadas foram "atempadamente alertados" e que a Protecção Civil e bombeiros disponibilizaram meios de transporte para a evacuação de bens e equipamentos.

O Douro submergiu totalmente o cais turístico da Junqueira, onde existe um bar e uma loja de artesanato.

No terreno estiveram bombeiros da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vil a Real e ainda 10 militares do Exército.

Segundo o autarca, durante a madrugada, a Barragem de Bagaúste, a norte da Régua, debitou mais de 7.000 metros cúbicos de água por segundo, ultrapassan do largamente o limiar de cheias, que ronda os 5.000 metros cúbicos/segundo.

Salientou que cerca das 12:00, o caudal do rio "estava estabilizado, co m possibilidade de regredir durante a tarde".

A última vez que as águas do Douro galgaram a João Franco foi em Janeir o de 2003, e a maior cheia de sempre registou-se em 1962, quando as águas do Dou ro atingiram os dois metros na Rua da Ferreirinha, paralela à João Franco, mas n um nível superior.

Também a zona marginal do Pinhão, concelho de Alijó, e o cais fluvial d a Rede, em Mesão Frio, foram inundados pelo Douro.

O plano especial para cheias na Bacia do Douro foi activado na sexta-fe ira, devido à chuva intensa que tem caído na região Norte e em Espanha.

O Rio Douro, entre a fronteira com Espanha e a Régua, possui as barrage ns de Miranda, Picote, Bemposta, Pocinho, Valeira, e Bagaúste, havendo ainda uma barragem no rio Távora, afluente do Douro.

Machado Moura, professor da Faculdade de Engenharia do Porto defendeu h oje a construção de barragens em todos os afluentes do rio Douro como a única fo rma de controlar o caudal deste rio e evitar a ocorrência de cheias.

Em declarações à agência Lusa, o especialista afirmou que a bacia hidro gráfica do Douro "só poderá ser controlada com a construção de obras hidráulicas " em todos os afluentes deste rio, desde o Corgo, ao Pinhão, Tua, Sabor, Paiva o u Côa.

"Este é um ponto estratégico para a gestão do Douro, representa ainda u ma importante reserva de água para a região e uma fonte de energia limpa", frisou.


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