Cidade aeroportuária também ficará reduzida em Alcochete - Região de Turismo do Oeste

Arruda dos Vinhos, Lisboa, 15 Jan (Lusa) - O presidente da Região de Turismo do Oeste criticou hoje o argumento "anti-Ota" de falta de dimensão para uma cidade aeroportuária afirmando que também em Alcochete essa área será reduzida pela Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.

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"Fico surpreendidíssimo quando oiço o secretário de Estado do Ambiente afirmar que há que ter cuidado, e alargar a área de protecção do Estuário do Tejo, para impedir que a cidade aeroportuária cresça mais do que uma determinada dimensão", afirmou hoje António Carneiro, presidente da Região de Turismo do Oeste.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, defendeu segunda-feira o alargamento da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo como medida de minimização dos impactes ambientais que vão ser provocados pela construção do novo aeroporto, em Alcochete.

"O alargamento da ZPE é uma medida que se impõe", afirmou Humberto Rosa à margem da apresentação do último relatório sobre o estado do Ambiente em Portugal, relativo a 2006, em Lisboa.

O governante salientou que o Campo de Tiro de Alcochete, localização escolhida para o futuro aeroporto de Lisboa, não está dentro da ZPE do Tejo, mas reconheceu que a construção de uma obra de tal dimensão tem sempre fortes impactos no ambiente, nomeadamente nas aves, uma das preocupações reveladas pelos ambientalistas quanto ao projecto.

"É curioso que no período de combate à Ota, pessoas sábias como o doutor Augusto Mateus defenderam que um dos problemas da Ota era que não tinha terrenos para a construção de uma grande cidade aeroportuária", considerou hoje António Carneiro.

"E afinal em Alcochete também não se pode fazer porque os terrenos estão sob protecção, não se entende", lamentou António Carneiro, que falava hoje aos jornalistas em Arruda dos Vinhos onde foi participar numa reunião de preparação do encontro desta tarde com o primeiro-ministro para discutir medidas compensatórias para a região.

Na passada quinta-feira, o primeiro-ministro José Sócrates anunciou a construção do novo aeroporto internacional em Alcochete, afastando a opção pela Ota tomada há quase dez anos pelo anterior governo socialista.

Esta decisão foi tomada com base num estudo do Laboratório Nacional de Engenharia (LNEC), que comparou as alternativas Ota e Alcochete, e considerou esta última mais vantajosa, nomeadamente do ponto de vista ambiental.

Em ambas as localizações, o LNEC considerou que o novo aeroporto pode trazer "impactes potenciais muito negativos" na biodiversidade e conservação da natureza.

O laboratório salienta que o aeroporto no campo de tiro de Alcochete vai levar a uma redução do valor ecológico mais acentuada do que na Ota, devido aos efeitos negativos previsíveis sobre o Sistema Nacional de Áreas Classificadas e sobre as ocupações do solo favoráveis à biodiversidade.

ZO/VP.


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