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Cinco pessoas acusadas de explorar dois portugueses em Espanha durante 15 anos

Cinco pessoas acusadas de explorar dois portugueses em Espanha durante 15 anos

O Ministério Público (MP) de Coimbra acusou hoje quatro homens e uma mulher da prática dos crimes de tráfico de pessoas para exploração laboral e branqueamento, por alegadamente terem explorado, durante 15 anos, dois cidadãos portugueses em explorações agrícolas na Espanha.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
RTP

"Quatro dos arguidos foram acusados, em coautoria, de dois crimes de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral e de um crime de branqueamento. A quinta arguida foi acusada de um crime de branqueamento", informou o MP de Coimbra.

Segundo a acusação, os arguidos, todos de nacionalidade portuguesa e integrados numa estrutura familiar, terão atuado de forma concertada entre janeiro de 2010 e março de 2025, recrutando e mantendo sob o seu domínio dois cidadãos portugueses em situação de especial vulnerabilidade social e cognitiva, que sujeitaram a exploração laboral em explorações agrícolas situadas na região de Burgos, em Espanha.

"Aproveitando-se das limitações cognitivas e da ausência de retaguarda familiar das vítimas, os arguidos mantiveram-nas durante anos em condições degradantes, alojadas num antigo estábulo, sem aquecimento, com alimentação insuficiente e privadas da liberdade de circulação, mediante o controlo dos acessos ao imóvel, a retenção de documentos pessoais e bancários e a utilização de sistemas de vigilância".

De acordo com o MP, as vítimas eram obrigadas a trabalhar na agricultura durante 11 a 12 horas por dia, sem descanso semanal e sem receberem os salários devidos, sendo-lhes entregues apenas 20 euros por mês.

"Os arguidos apropriaram-se dos rendimentos do trabalho das vítimas e de prestações sociais por estas auferidas, movimentando os respetivos valores através de contas bancárias e aplicando parte dos proventos na aquisição de bens imóveis e veículos, com vista a ocultar a sua origem ilícita".

Com esta prática, os arguidos terão obtido "uma vantagem patrimonial superior a 572 mil euros, correspondente às remunerações não entregues às vítimas, tendo ainda sido identificada a apropriação de prestações sociais e outras quantias".

Um dos arguidos, apontado como o principal responsável pela atividade criminosa, já tinha sido condenado em 2013 a sete anos de prisão por dois crimes de tráfico de pessoas, sendo agora acusado como reincidente.

Dois dos cinco arguidos encontram-se em prisão preventiva, enquanto os restantes estão sujeitos a medidas de coação não privativas da liberdade, incluindo apresentações periódicas às autoridades e proibições de contactos.

O Ministério Público requereu ainda a perda a favor do Estado das vantagens patrimoniais alegadamente obtidas com a atividade criminosa, bem como do valor considerado incongruente apurado relativamente ao património de alguns dos arguidos.

A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária, através da Diretoria do Centro, com a intervenção do Gabinete de Recuperação de Ativos.

Contou ainda com a cooperação das autoridades judiciárias e policiais espanholas, incluindo a Fiscalía Provincial de Burgos, o Juzgado de Primera Instancia e Instrucción n.º 1 de Aranda de Duero e a Guardia Civil, com o apoio da Eurojust na coordenação judiciária entre Portugal e Espanha.

 

 

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