Cinco por cento dos portugueses viciados em sexo
Cinco por cento da população portuguesa sofre de dependência sexual, afirmou hoje um dos psicólogos presentes no I Fórum "E tudo começa assim", onde adicção ou desejo sexual, ciúme saudável ou patológico foram debatidos.
O psicólogo Santinho Martins, do Hospital Júlio de Matos, que falou sobre a "Adição sexual e a sua relação com outras dependências", frisou o facto de cinco por cento dos portugueses sofrer de algum tipo de dependência sexual, na sua maioria homens entre os 20 e os 30 anos.
"A adição sexual é uma falência [falha] recorrente do controlo do comportamento sexual, com continuação apesar das consequências indesejáveis", explicou Santinho Martins.
Este especialista sublinhou, ainda, as "consequências desastrosas" que este tipo de adição traz à vida das pessoas, que chegam a perder o emprego, negligenciam a alimentação e registam baixos níveis de auto-estima.
O psicólogo frisou, também, que alguém que sofra de adição sexual "pode a qualquer momento desenvolver uma das outras adições", como o jogo patológico, a dependência das drogas ou os distúrbios alimentares, estes últimos mais frequentes nas mulheres.
"É complicado definir quando se passa do uso ao abuso e do abuso à dependência", defendeu Jorge Cardoso, médico do Hospital Júlio de Matos e professor no Instituto de Ciências de Saúde do Sul.
Jorge Cardoso, que falou sobre "Dependências parafílicas", afirmou que a definição entre o normal e o patológico é feita através de estatísticas aos comportamentos sexuais e explicou que "as parafílias remetem para cognições e/ou comportamentos sexuais envolvendo objectos (humanos ou não humanos), actividades ou situações não habituais que constituem o foco de estimulação sexual".
Dentro das parafílias incluem-se a pedofilia, o masoquismo e o sadismo, entre outras.
Amar demais também pode ser uma doença, defendeu a psicóloga Ana Cardoso Oliveira, da Associação Lavoisier, na sua intervenção intitulada "Amo-te tanto que te quero matar - Abordagem do ciúme patológico".
"O ciúme patológico é uma doença do foro da esquizofrenia", afirmou Ana Cardoso Oliveira, explicando que as relações de dependência não funcionam somente entre casais, mas também muito entre mães e filhos.
"O sujeito do ciúme patológico sente uma necessidade premente e ansiosa de controlo do objecto, a relação passa a ser o centro de todo o pensamento e desejo (Ó). A culpa é a grande arma do ciúme, a angústia da separação é insustentável. O sujeito controlado para não fazer sofrer o outro começa a omitir e a mentir", afirmou a psicóloga.
Este primeiro fórum, organizado pela "Associação Novos Rostos.
Novos Desafios", em São Domingos de Rana (Oeiras), debate, também, na sexta-feira, os problemas relacionados com o consumo excessivo de álcool, o jogo compulsivo e os distúrbios alimentares.