Círculo de Lisboa reforçado com 50 juízes para resolver 124 mil processos de imigrantes
O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) anunciou hoje a "abertura de um concurso nacional urgente" para reforçar o círculo de Lisboa, que tem mais de 124 mil processos pendentes relacionados com imigrantes.
Em comunicado hoje divulgado, o CSTAF informa que o "concurso nacional urgente para a acumulação temporária de funções judiciais, ao abrigo do Regulamento dos Instrumentos de Mobilidade e de Gestão Processual", terá um total de 50 vagas.
O objetivo desta "medida excecional de gestão processual" é "dar resposta urgente à elevada pendência dos processos de intimação para proteção de direitos, liberdades e garantias relativos à entrada e permanência de cidadãos estrangeiros em território nacional" no Tribunal Administrativo de Círculo (TAC) de Lisboa, refere o conselho superior.
A 07 de janeiro, "encontravam-se pendentes naquele tribunal cerca de 124.793 processos, situação que o CSTAF considera crítica e sem solução imediata por via legislativa ou executiva", pode ler-se no comunicado.
As vagas estão disponibilizadas "pelo prazo inicial de três meses, prorrogável uma única vez por igual período, com definição de objetivos mensais de decisão, critérios objetivos de seleção e mecanismos de acompanhamento do desempenho", refere o CSTAF.
"Cada juiz selecionado ficará responsável, em regime de acumulação, por um número significativo de processos, com metas mínimas de decisão, estando igualmente previsto o envolvimento das unidades orgânicas dos tribunais administrativos e tributários em regime de trabalho suplementar, bem como o apoio pontual do Supremo Tribunal Administrativo", indica o conselho.
O objetivo é "resolver uma situação de pendência crónica, reforçar a capacidade de resposta da jurisdição administrativa e fiscal e assegurar uma tutela mais célere e efetiva dos direitos fundamentais dos cidadãos".
Muitas destas pendências estão relacionadas com atrasos na regularização e falta de resposta da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, processos ainda relacionados, em grande parte dos casos, com as manifestações de interesse, um mecanismo legal, entretanto extinto, que permitia a entrada no sistema de imigrantes apenas com vistos de turismo em Portugal.