Cirurgia Cardiotorácica dos HUC premeia profissionais com 801 mil euros

O Centro de Cirurgia Cardiotorácica (CCT) dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) vai repartir, ao longo deste ano pelos seus 120 profissionais, um montante superior a 801 mil euros, em prémios de desempenho relativos a 2004.

Agência LUSA /
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Este montante figura no relatório de contas de 2004 e visa reconhecer e estimular a produtividade dos que trabalham no serviço de referência dirigido, desde 1988, pelo cirurgião cardiotorácico Manuel Antunes.

Em 2004, o CCT realizou 1.634 intervenções, o que o transforma no maior centro da Península Ibérica, e, no primeiro ano completo do programa de transplantação cardíaco, efectuou 27 destas operações, "um número jamais concretizado por qualquer outra equipa de transplantação cardíaca nacional, ou mesmo pelos vários centros no seu conjunto" - lê-se no relatório anual do serviço, a que a Agência Lusa teve acesso.

Com o estatuto de Centro de Responsabilidade desde 1998, este serviço sem doentes em lista de espera começou a atribuir os prémios de desempenho a partir do exercício de 2000, disse Manuel Antunes à Agência Lusa.

O valor de 801.430 euros apurado para distribuir aos profissionais do CCT como incentivos ao desempenho é retirado do balanço positivo das contas do ano passado, em que as despesas de 8,5 milhões de euros se situaram muito aquém das receitas de cerca de 14,5 milhões de euros.

Trata-se de cerca de 16 por cento do valor do saldo positivo do ano passado, a percentagem que os HUC concordaram em devolver ao serviço, para ser atribuído como prémios de desempenho ao pessoal, que trabalha em regime de exclusividade.

Este valor é distribuído pelos diferentes grupos profissionais - médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos - segundo uma fórmula de cálculo igual, fazendo com que cada um dos elementos do CCT receba a mais, no final do ano, o equivalente a vários salários (em média três).

"As pessoas sabem que 16 por cento do que poupam lhes vai ter ao bolso", afirmou Manuel Antunes, frisando que esta noção de rigor nos gastos é transmitida "desde o topo aos escalões mais baixos".

O professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra revelou à Lusa que 40 por cento do montante a entregar a cada um dos grupos é atribuído como incentivo de equipa.

Os restantes 60 por cento são distribuídos de acordo com a classificação dada individualmente por uma comissão constituída por dois enfermeiros e um médico, que atende a critérios como a capacidade técnica, assiduidade e pontualidade, disponibilidade e relações interpessoais.

No caso de algum dos profissionais se encontrar ausente do serviço por um período superior a dez dias num ano é excluído do sistema de incentivos, revertendo a verba que lhe seria atribuída para o respectivo grupo.

"Se as pessoas não estão, não se produz", sustenta o director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC, lembrando que recai sobre os colegas do mesmo grupo profissional o esforço suplementar de compensar a ausência.

Com um corpo de enfermagem predominantemente feminino e muito jovem, a exclusão do sistema de incentivos poderia constituir "um desencorajamento à maternidade".

Nestes casos, segundo Manuel Antunes, optou-se por descontar às mulheres ausentes por terem sido mães um terço do prémio que receberiam, revertendo esse valor para o grupo profissional em que se inserem.

"Vai para o grupo de trabalho que teve de compensar a falha, dado que nunca substituímos ninguém durante a gravidez", explicou ainda o director do CCT.

Manuel Antunes atribui o sucesso do CCT a factores como o estatuto jurídico do serviço, que atribui ao director poderes e responsabilidades sob o ponto de vista orçamental e administrativo, e ao regime de exclusividade dos seus profissionais.

"Há a noção de que o trabalho intensivo, em dedicação plena, gera produtividade", sublinhou o médico, autor do livro "A Doença da Saúde", lançado em 2001.


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