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Cirurgias cardíacas. DGS conhecia mortalidade por espera prolongada
A Direção-Geral da Saúde também estava a par dos casos de mortalidade em excesso por espera prolongada para cirurgia cardíaca. Mas afirma não ter competência para abrir inquéritos.
Nuno Patrício - RTP
O documento da unidade hospitalar a alertar para mortes prematuras por longos tempos de espera para cirurgia cardíaca chegou ao Ministério da Saúde e à DGS há já cinco meses.O diretor de Cardiologia assumiu à RTP que foram mais de dez, só nesta ULS, nos últimos três anos.
À RTP, a Direção-Geral recordou que não tem competência para abrir inquéritos e investigações, mas foi pela denúncia desses constrangimentos, que incluem o agravamento clínico de muitos mais doentes na região, que avançou com o parecer ao pedido do Santo António para abrir um centro de cirurgia cardíaca, tendo em vista facultar mais resposta - a somar à solicitação do próprio Gabinete da Secretária de Estado da Saúde.
"Considerando que a ULS de Santo António não dispõe atualmente de serviço de cirurgia cardíaca, a DGS referiu no seu parecer a possibilidade de adoção de um modelo organizacional em rede, baseado num centro de referência que cumpra integralmente os requisitos normativos e num centro afiliado, permitindo o intercâmbio de profissionais e a realização articulada da atividade", lê-se no parecer da DGS.
"Este modelo permite assegurar uma resposta assistencial atempada e segura, evitando a necessidade imediata de criação de uma nova estrutura autónoma", acrescenta o documento.
Ou seja, até para não violar a rede de referenciação revista há apenas dois anos, o Hospital de Santo António poderia abrir apenas em parceria com outra unidade, tal como fez Évora, e uma parceria que desse segurança e resposta imediata a complicações. Seria com Gaia, para onde já envia, anualmente, 250 doentes por ser o centro de referência.O Hospital de Santo António já abriu concurso para adquirir equipamento, num montante de 500 mil euros, além da captação de cirurgiões cardíacos em prestação de serviço.
Para o bastonário da Ordem dos Médicos, a revisão da rede deve ocorrer após nova análise técnica. Mas a investigação às mortes denunciadas já deveria ter avançado, o que, segundo Carlos Cortes, compromete a credibilidade e a própria justificação de existência da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde.