Clima. Jovens querem greve geral a 27 de setembro

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Clima. Jovens querem greve geral a 27 de setembro

Foto: Lusa

Os organizadores da greve de estudantes em defesa do clima fazem um balanço positivo da ação desta sexta-feira.

Foram 12 a 13 mil jovens, apenas em Lisboa, refere a organização. Pela segunda vez, os estudantes portugueses aderiram à greve climática estudantil internacional, que esta sexta-feira se realizou em mais de 100 países e que em Portugal se alargou a 51 localidades.


Os organizadores desta greve estudantil esperam agora sensibilizar os sindicatos - que já vieram recusar - para uma greve geral pelo clima a 27 de setembro, explica Beatriz Farelo.

No manifesto que leram em frente à escadaria da Assembleia da República, onde terminou uma marcha iniciada na rotunda do Marquês de Pombal, os estudantes voltaram a exigir a declaração de emergência climática, a meta da neutralidade carbónica até 2030 e "uma enorme vontade política" aos decisores europeus e portugueses.

Na altura, Beatriz Farelo afirmou que a meta para o próximo protesto é "conseguir consenso com sindicatos, professores e ainda mais alunos" para que a greve seja geral.

Beatriz Farelo referiu ainda o encerramento das centrais elétricas a carvão de Sines e do Pego e o fim das concessões para prospeção de combustíveis fósseis como prioridades.

Os estudantes têm noção do impacto no emprego e defendem que os trabalhadores das indústrias mais poluentes têm lugar em empregos com sustentabilidade ambiental.

"Somos aqueles que lutam pela justiça climática, somos muito mais do que uma greve estudantil", declarou Alice Vale de Gato ao megafone perante vários milhares que terminaram a marcha em frente a São Bento.

O movimento dos jovens tem origem numa estudante sueca, Greta Thunberg, que no verão passado começou sozinha uma greve às aulas, manifestando-se em frente ao parlamento sueco.


Manifestações na Europa juntam milhares de pessoas em várias cidades

Milhares de manifestantes, muito deles demasiado jovens para votar, saíram hoje à rua em múltiplas manifestações por várias cidades europeias para protestar contra a ausência de medidas políticas em defesa do planeta.

De Portugal à Finlândia, passando por Itália e Inglaterra, estudantes seguiram o apelo da adolescente sueca Greta Thunberg para faltar às aulas, numa greve contra as alterações climáticas.

O tema saltou para a linha da frente das eleições europeias, que se iniciaram na quinta-feira e terminam domingo para eleger 751 deputados ao Parlamento Europeu.

Várias centenas de estudantes aderiram em Madrid à segunda greve global, numa iniciativa à qual, ao longo do dia, se prevê que se juntem jovens de 51 cidades espanholas.

Nas ruas de Paris desfilaram, algumas centenas de pessoas, maioritariamente alunos dos ensinos secundário e superior.

Milhares de jovens alemães faltaram de novo à escola para se manifestarem em defesa do clima, durante uma grande jornada de mobilização mundial. Em Berlim, cerca de 5.000 estudantes reuniram-se ao meio-dia em frente das emblemáticas Portas de Brandeburgo.

Protestos significativos decorreram também nas principais cidades alemãs, nomeadamente Hamburgo (17.500 manifestantes, segundo a polícia) e Francoforte (4.500 pessoas) para marchar rumo ao Banco Central Europeu.

Sindicatos recusam greve geral em defesa do planeta

As centrais sindicais UGT e CGTP estão solidárias com a luta dos jovens em defesa do planeta, mas recusam participar numa greve geral, tal como pretendido pelos organizadores da greve climática estudantil, que hoje se voltou a realizar.

O convite ainda não foi formalmente feito à CGTP nem à UGT, mas, em declarações à Lusa, as duas estruturas sindicais afastaram já a hipótese de uma greve geral de trabalhadores, lembrando que essa é "a última arma" de uma negociação.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, saudou a iniciativa dos estudantes e lembrou que também os mais jovens sindicatos de trabalhadores têm apontado as alterações climáticas como uma das matérias mais emblemáticas da atualidade.

No entanto, entende que uma greve geral não é a solução: "Estamos solidários e disponíveis para falar com os jovens para ver de que forma poderemos intervir", afirmou, apontando como alternativas a hipótese de se realizarem manifestações, concentrações ou ações de sensibilização da opinião pública.

"Há um alerta a fazer a todos os governos e não é em vão que os jovens se têm manifestado em defesa do seu futuro e do planeta", lembrou Carlos Silva, em declarações à Lusa, sublinhando que a UGT é "sensível a todos os alertas, manifestações e tomadas de posição".

Já a CGTP -- IN mostrou-se menos recetiva a um eventual convite por parte dos estudantes, questionando mesmo a razão de ser das greves estudantis.

"Vão ter de nos fazer chegar as razões que os levam a tentar mobilizar todos os trabalhadores para essa greve", disse à Lusa João Torres, responsável pela área da ação reivindicativa da CGTP, que apontou ainda a "curiosa" data da greve geral "tão próxima das eleições legislativas".

c/Lusa





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