"Clonagem" de cartões multibanco já chegou ao Baixo-Alentejo

Habitantes de Beja e de Serpa, no Baixo Alentejo, foram nos últimos dias vítimas da "clonagem" de cartões Multibanco, à semelhança do que já sucedeu em Portel (Évora), Loulé e Braga.

Agência LUSA /

A "clonagem" de cartões consiste na replicação dos cartões Multibanco com dados obtidos através da colocação de dispositivos de leitura falsos nas caixas automáticas.

Segundo o comissário da PSP de Beja, Nuno Poiares, há bancos da cidade a informar os clientes lesados sobre a reprodução ilegal de cartões e a esquadra local já recebeu duas queixas formais e uma participação.

"As duas queixas são de casos de `clonagem` de cartões Multibanco com posteriores levantamentos ilícitos de dinheiro, a partir de Espanha, num valor global de 150 euros", precisou.

Em declarações à agência Lusa, um cidadão de Beja de 24 anos que solicitou o anonimato, contou hoje que foi lesado "em mais de 600 euros", indicando que o respectivo banco "confirmou tratar-se de um caso de `clonagem` de cartões".

"O banco contactou-me para informar que o meu cartão Multibanco tinha sido `clonado`, uma vez que foram efectuados levantamentos suspeitos de dinheiro no estrangeiro", explicou.

"O cartão foi de imediato anulado para que a situação não voltasse a repetir-se", disse, acrescentando que "o banco comprometeu-se a repor o dinheiro levantado ilegalmente".

Uma outra cidadã de Beja, de 34 anos, que também solicitou o anonimato, explicou hoje à Lusa que o seu cartão Multibanco e o do marido também foram `clonados` e, posteriormente, anulados pelo banco.

"De acordo com o banco, foram efectuadas, com os dados dos dois cartões, mas sem sucesso, várias tentativas de levantamento de dinheiro em Portugal, Espanha e Roménia", contou.

Alem dos casos detectados em Beja esta semana, aconteceram outros semelhantes em Serpa, no passado fim-de- semana, e em Portel, no distrito de Évora, no último fim-de- semana de Maio.

Contactada pela agência Lusa, Carmo Alvim, da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), que gere a rede nacional de caixas automáticas de Multibanco, confirmou a detecção de vários casos de reprodução ilegal de cartões em Beja, Portel e Serpa.

"Todos os casos foram prontamente identificados pelo sistema de monitorização da rede da SIBS, que accionou todas as medidas de prevenção e controlo", garantiu.

Entre as medidas, incluem-se a "identificação dos cartões que podem estar comprometidos e a respectiva informação às entidades emissoras (bancos) e Polícia Judiciária (PJ)".

No entanto, a responsável considerou "inoportuno disponibilizar, neste momento, informação adicional ou de pormenor", adiantando que os casos estão sob investigação da PJ.

A 17 de Maio, a PJ deteve em Loulé, no Algarve, cinco pessoas suspeitas de copiar cerca de 60 cartões Multibanco, utilizados depois de forma fraudulenta no Sul de Portugal e Espanha.

A 03 de Maio, a SIBS já havia detectado uma fraude semelhante em Braga e ordenou a anulação de cerca de 800 cartões alegadamente copiados.

Segundo Carmo Alvim, este tipo de fraude, apelidado de "skimming", "é suportado por redes internacionais de crime organizado".

"Consiste na captura de dados de cartões Multibanco através da colocação de dispositivos de leitura falsos nas caixas automáticas, com o intuito de replicar o cartão original", explicou.

A responsável apelou ainda à "utilização cuidadosa e diligente" do cartão Multibanco, lembrando o "papel importante que os utilizadores desempenham na despistagem deste tipo de casos".

Neste sentido, a SIBS lembra que as caixas Multibanco "mais vulneráveis" são aquelas que se situam em locais isolados e sem vigilância e recomenda a utilização de caixas instaladas no interior de agências bancárias.

A SIBS alerta ainda os utilizadores para contactarem a entidade emissora do cartão ou a SIBS sempre que o mesmo ficar retido na caixa Multibanco ou forem identificadas anomalias nos terminais.

A identificação de comportamentos estranhos de terceiros no momento em que o utilizador realiza uma operação na caixa Multibanco ou a detecção de operações que lhe são atribuídas e que não realizou com o respectivo cartão, são outras situações que devem ser reportadas às autoridades competentes.


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