Cocaina negra vai chegar em breve ao Norte de Portugal e não é detectável pelos cães

O Norte de Portugal e a Galiza deverão assistir em breve à chegada de "cocaína negra", um novo tipo de droga não detectável pelos cães da polícia, alertou hoje o líder da Fundação Galega contra o Narcotráfico.

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Em declarações à Lusa, Felipe Suárez, presidente de honra daquela fundação, disse que esta cocaína, que, "por arrastamento", entrará também em toda a Europa, já foi detectada na América do Sul, diferenciando-se da tradicional não só pela cor mas também pela sua composição e maneira como é cultivada.

Filipe Suárez reafirmou que o Norte de Portugal e a Galiza são "a principal porta de entrada" de droga na Europa, continuando, no entanto, com meios "manifestamente insuficientes" para combate ao tráfico.

"Por mais que os políticos o neguem, a Galiza e o Norte de Portugal são a principal porta de entrada de cocaína na Europa. Há três rotas desde a América do Sul até à Europa e duas delas terminam aqui, nesta euro-região", garantiu.

Sublinhou a falta de meios para um combate eficaz ao tráfico de droga, embora tenha ressalvado que, nesse aspecto, Portugal "melhorou muito" nos últimos anos.

"Mas é preciso muito mais, sobretudo na Galiza", disse, lembrando que, apesar de Espanha ser o terceiro país que mais cocaína intercepta, mesmo assim só estará a conseguir travar a entrada de seis por cento de todo o tráfico.

"Se o Grupo de Resposta especial contra o Crime Organizado não actuasse na Galiza, tropeçaríamos com cocaína ao caminhar na rua", referiu.

Alertou que Espanha é o país que mais cocaína consome e que este é "o único produto cujo preço vem baixando nos últimos anos", exemplificando que uma grama está, actualmente, a ser comercializada entre 40 e 60 euros, metade do que custava há 10 anos atrás.

Felipe Suaréz disse que a fundação a que preside pediu ao governo espanhol que instalasse na Galiza um sistema integral de vigilância costeira como o existente em Gibraltar para controlar o tráfico de imigrantes, mas a resposta foi que "era muito caro".

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