Código Estrada traz benefícios às crianças e baixará sinistralidade
A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) aplaudiu hoje o novo código da estrada, que entra em vigor no sábado, considerando que "traz benefícios grandes às crianças" e que "vai contribuir muito para a diminuição da sinistralidade".
Numa acção de informação promovida pela APSI hoje de manhã no Centro Cultural de Belém, Helena Menezes, presidente da associação, afirmou-se "muito contente com o novo código", devido às alterações introduzidas relativamente à segurança das crianças, muitas delas sugeridas pela APSI.
Entre as mudanças do novo código da estrada, Helena Menezes destacou a obrigatoriedade de proteger as crianças com sistema de retenção e de respeitar a lotação dos veículos.
A responsável elogiou ainda o facto de se ter agravado as sanções em casos como a não cedência de passagem a peões ou o estacionamento em cima de passadeiras.
O novo código prevê que "a criança possa ir à frente voltada para trás até aos três anos", uma alteração que surge na sequência de uma sugestão da APSI.
Segundo esta associação, todas as crianças deveriam viajar em cadeiras especiais voltadas para trás até aos três ou quatro anos, como acontece na Suécia, uma vez que o pescoço destas crianças pode não aguentar a projecção para a frente após o impacto.
"O problema é que não existem no mercado português estas cadeiras, apenas existem para crianças até aos 18 meses, a partir dessa idade são todas voltadas para a frente", explicou.
Por isso, a presidente considera "importante" esta medida prevista no código, pois vem dar um "passo inovador e abre a possibilidades de incentivar o mercado a evoluir neste sentido (de comercializar cadeiras especiais para crianças até três anos viajarem viradas para trás)".
A proibição de "transportar crianças com menos de três anos à solta" é outra das novidades destacadas pela responsável que, no entanto, afirma não entender a contradição implícita na excepção que é feita aos táxis, onde a criança não é obrigada a usar cadeira especial.
A propósito, Helena Menezes discordou do facto de taxistas, bombeiros e polícias não serem obrigados a usar cinto de segurança, até porque estes "devem ser os primeiros a dar o exemplo e a servir de modelos para as crianças".
"O facto de haver excepções é devido a pressões de determinados grupos que não percebem a importância do cinto de segurança", acusou.
Apesar de se privilegiar os bancos traseiros, "se não houver cintos no banco de trás, a criança pode ir à frente com cinto", outra novidade no código realçada pela APSI, que sublinha ser mais perigoso ir atrás à solta do que à frente preso.
O faço de os condutores não protegerem as crianças, não cederem passagem a peões e pararem ou estacionarem em cima de passadeiras - "obrigando as crianças a atravessarem em zonas mais perigosas" - são infracções que vão passar a contra-ordenações graves, o que satisfez Helena Menezes.
A presidente da APSI lembrou ainda que há muitos acidentes rodoviários envolvendo bicicletas e por isso louvou o facto de o novo código contemplar que quando se transporta uma criança em bicicleta tem que ser em cadeira especial e com capacete.
Relativamente às grávidas, Helena Menezes afirmou que "muito se tem falado sobre o perigo de uso de cinto de segurança para o feto", uma questão que disse ter que ser "desmistificada".
"Não faz mal nenhum se for bem colocado e é fundamental para a mãe e para o feto", disse.
Apesar destes avanços, a APSI considera que ainda há áreas nas quais importa investir: determinar como velocidade máxima os 30 km/hora em zonas residenciais e perto de escolas, planear e fiscalizar melhor o estacionamento, treinar as crianças em ambiente real e criar vias pedonais contínuas dentro das localidades.