Coelho, o comunista madeirense, que "virou" PND
O candidato do Partido da Nova Democracia (PND) José Manuel Coelho é um "comunista convicto" mas não se inibiu em aceitar ser o terceiro nome da lista deste partido conservador-liberal, nacionalista e euro-céptico às eleições legislativas regionais.
"Estou lá como independente - afirma à Agência Lusa - uso a extrema-direita como veículo de luta contra a corrupção".
Este pintor da construção Civil, de 54 anos, natural do concelho de Santa Cruz, militante encarteirado (desde 1977) do PCP de cuja DORAM (Direcção da Organização da Região Autónoma da Madeira) chegou a fazer parte, considera que o regime político na Região "é um sistema pré-democrático, proto-fascista, onde os direitos de cidadania estão cerceados e a democracia não está garantida".
Colocado na prateleira mas não expulso do PCP por ter criticado um dirigente sindical comunista do Sindicato da Construção Civil, este distribuidor do "Avante", que chegou a receber como prémio do "Pravda" uma viagem à ex-URSS em 1981, afirma-se " comunista por convicção e ideal" mas reconhece que "o partido tem de ser renovado porque no PCP existe uma democracia imperfeita". Sou como aquele católico que não vai à missa mas não deixa de ser católico", explicou.
"Nunca saí do partido, eles é que me põem na prateleira", adianta, confessando que sempre votou no PCP.
"Mas agora não vou votar neles, se sou candidato do PND tenho de acreditar em mim", disse.
Como comunista convicto, Coelho justifica também a sua decisão com a máxima de que "no sistema proto-fascista em que vivemos, os comunistas têm que fazer alianças mesmo com a direita".
E exemplifica: "nas sondagens o PCP aparece como a terceira força política regional, ora o PND está a tirar votos ao CDS/PP-M e isso também conta".