País
"Sentimos que houve um alívio no risco". Coimbra mantém cautela apesar de situação mais estável
A situação em Coimbra está "um pouco mais estável", mas a Autoridade Nacional de Emergência não exclui, para já, a possibilidade de uma evacuação da baixa da cidade. A margem esquerda do Mondego está parcialmente inundada há uma semana e a população do outro lado do rio está a prevenir-se para evitar o pior.
Na quinta-feira temia-se uma "inundação centenária" em Coimbra. A margem direita do município ficou em alerta com o risco de ser inundada se o caudal do rio Mondego subisse com o agravamento do tempo. Apesar da chuva intensa da madrugada, a cidade acordou mais aliviada.
A Baixa de Coimbra, as ruas da conhecida "baixinha" e a Rua da Sofia estavam na lista das zonas em risco de inundação na última noite. A população evitou circular pelo centro histórico da cidade e os lojistas preparam-se para eventual evacuação.
A gelataria Doppo, na Praça do Comércio, esteve aberta durante o dia de sexta-feira para os poucos clientes que por lá passaram nos intervalos da chuva. Mas à porta estava um pequeno muro de sacos de areia.
"Já estivemos mais preparados. Sentimos que houve um alívio no risco", contou à RTP o gerente. "Contamos que o risco de inundação da baixa já não exista. Ainda assim, vamos deixar as coisas preparadas para se houver água".
O estabelecimento tem dois pisos e, quando começou o mau tempo, Fernando Castelo Branco decidiu retirar máquinas e colocar sacos de areia e "umas placas" no piso inferior - "porque é na zona mais baixa da Baixa".
"Ontem retirei os equipamentos mais caros, porque o risco era muito, muito grande. Acreditei mesmo que houvesse inundação da Baixa", disse o lojista. "Os equipamento são tão caros que não podia assumir esse risco".
A gelataria está há quatro anos no centro da Baixa de Coimbra e até agora nunca tinha estado em risco de ser alagada, até porque não está mesmo junto ao rio.
"O que aconteceu este ano foi algo excecional", explicou Fernando Castelo-Branco, que reconheceu que "as alterações climáticas apontam" no sentido de que volte a "acontecer no futuro".
Apesar de se manter em "cautela", o gerente deste espaço comercial já não está tão assustado com a previsão da subida do Mondego até à zona central da cidade. "Ontem assustei-me mesmo", conta.Santa Clara alagada
O cenário é diferente quando saímos da Baixa de Coimbra e atravessamos a Ponte de Santa Clara. A zona ribeirinha da margem esquerda está parcialmente inundada: o Mondego extravasou desde o Parque da Canção até às traseiras do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
O rio Mondego é conhecido pelo leito de cheias e nas últimas semanas tem tirado proveito dessa fama. São muitos os concelhos do baixo Mondego que estão a enfrentar as inundações e as ruas alagadas da margem esquerda da cidade espelham bem o aumento do caudal do rio.
O restaurante "Taberna de Portugal", junto ao Portugal dos Pequenitos, está encerrado há uma semana e sem eletricidade. A rua está completamente inundada, sendo impossível circular ou entrar no restaurante.
A água ainda não entrou no interior do estabelecimento, mas com os frigoríficos desligados, grande parte da comida já se estragou.
"Nós não conseguimos trabalhar. Todos os nossos produtos que estavam em frigorífico estragaram-se", lamentou Adriana Fernandes.
Segundo a funcionária deste restaurante conimbricense, "a situação é preocupante" e a maioria das casas e serviços foram já evacuados.
"Todos os dias ficamos aqui até às quatro ou cinco da manhã a ver se a água não sobe. E depois estamos de volta às nove da manhã para ver a situação, porque é bastante preocupante com o rio e as habitações".
É habitual esta rua ficar com "um bocadinho de água", mas nunca "nada tão crítico como agora".
"Já há mais de 20 anos que não acontece assim nada tão crítico", disse ainda Adriana. "A nossa preocupação é não deixar entrar água no restaurante e depois disso restabelecer a normalidade".
Sair de barco e entrar de galochas
Umas ruas mais abaixo, nas traseiras do Mosteiro de Santa Clara, há uns quantos prédios com caves e garagens quase submersas. E em frente habitações térreas completamente inundadas.
De galochas, Ana Paula Pedro mostrou à RTP a casa dos pais completamente alagada.
"A casa está num estado lastimoso, está tudo alagado", disse, quando tentava "ir à cozinha" mas com dificuldade porque "as botas já não permitem com a altura da água".
A habitação onde também viveu, quando era criança, tem ainda primeiro e segundo andar, a que os pais de Ana Paula estão limitados há três dias. Os eletrodomésticos, o sofá e os móveis do rés do chão estão "debaixo de água".
"Está tudo destruído", lamentou. "Desde que me lembro, sempre houve cheias. Mas não com esta dimensão".
Antigamente, recordou, o pai "tinha de sair do primeiro andar de barco", quando havia cheias do Mondego. Mas essas eram "histórias muito antigas".
Na porta da casa vêem sacos de areia e uma mangueira a drenar a água do interior da casa para a rua.
"Isto está melhor do que ontem", assegurou, não deixando de admitir "que é uma tristeza" ver os danos.
"O que vale é que tem o primeiro e o segundo andar e resolvemos a situação".
Previa-se que a situação fosse pior na cidade, que o nível do rio aumentasse mais nas últimas horas, o que não aconteceu e levou à decisão de evitar as evacuações de algumas casas, como neste caso.
Não houve para já uma "inundação centenária", mas a população de Coimbra vai continuar em alerta enquanto o tempo não melhora e o Mondego não regressa ao leito habitual.
A Baixa de Coimbra, as ruas da conhecida "baixinha" e a Rua da Sofia estavam na lista das zonas em risco de inundação na última noite. A população evitou circular pelo centro histórico da cidade e os lojistas preparam-se para eventual evacuação.
A gelataria Doppo, na Praça do Comércio, esteve aberta durante o dia de sexta-feira para os poucos clientes que por lá passaram nos intervalos da chuva. Mas à porta estava um pequeno muro de sacos de areia.
"Já estivemos mais preparados. Sentimos que houve um alívio no risco", contou à RTP o gerente. "Contamos que o risco de inundação da baixa já não exista. Ainda assim, vamos deixar as coisas preparadas para se houver água".
O estabelecimento tem dois pisos e, quando começou o mau tempo, Fernando Castelo Branco decidiu retirar máquinas e colocar sacos de areia e "umas placas" no piso inferior - "porque é na zona mais baixa da Baixa".
"Ontem retirei os equipamentos mais caros, porque o risco era muito, muito grande. Acreditei mesmo que houvesse inundação da Baixa", disse o lojista. "Os equipamento são tão caros que não podia assumir esse risco".
A gelataria está há quatro anos no centro da Baixa de Coimbra e até agora nunca tinha estado em risco de ser alagada, até porque não está mesmo junto ao rio.
"O que aconteceu este ano foi algo excecional", explicou Fernando Castelo-Branco, que reconheceu que "as alterações climáticas apontam" no sentido de que volte a "acontecer no futuro".
Apesar de se manter em "cautela", o gerente deste espaço comercial já não está tão assustado com a previsão da subida do Mondego até à zona central da cidade. "Ontem assustei-me mesmo", conta.Santa Clara alagada
O cenário é diferente quando saímos da Baixa de Coimbra e atravessamos a Ponte de Santa Clara. A zona ribeirinha da margem esquerda está parcialmente inundada: o Mondego extravasou desde o Parque da Canção até às traseiras do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
O rio Mondego é conhecido pelo leito de cheias e nas últimas semanas tem tirado proveito dessa fama. São muitos os concelhos do baixo Mondego que estão a enfrentar as inundações e as ruas alagadas da margem esquerda da cidade espelham bem o aumento do caudal do rio.
O restaurante "Taberna de Portugal", junto ao Portugal dos Pequenitos, está encerrado há uma semana e sem eletricidade. A rua está completamente inundada, sendo impossível circular ou entrar no restaurante.
A água ainda não entrou no interior do estabelecimento, mas com os frigoríficos desligados, grande parte da comida já se estragou.
"Nós não conseguimos trabalhar. Todos os nossos produtos que estavam em frigorífico estragaram-se", lamentou Adriana Fernandes.
Segundo a funcionária deste restaurante conimbricense, "a situação é preocupante" e a maioria das casas e serviços foram já evacuados.
"Todos os dias ficamos aqui até às quatro ou cinco da manhã a ver se a água não sobe. E depois estamos de volta às nove da manhã para ver a situação, porque é bastante preocupante com o rio e as habitações".
É habitual esta rua ficar com "um bocadinho de água", mas nunca "nada tão crítico como agora".
"Já há mais de 20 anos que não acontece assim nada tão crítico", disse ainda Adriana. "A nossa preocupação é não deixar entrar água no restaurante e depois disso restabelecer a normalidade".
Sair de barco e entrar de galochas
Umas ruas mais abaixo, nas traseiras do Mosteiro de Santa Clara, há uns quantos prédios com caves e garagens quase submersas. E em frente habitações térreas completamente inundadas.
De galochas, Ana Paula Pedro mostrou à RTP a casa dos pais completamente alagada.
"A casa está num estado lastimoso, está tudo alagado", disse, quando tentava "ir à cozinha" mas com dificuldade porque "as botas já não permitem com a altura da água".
A habitação onde também viveu, quando era criança, tem ainda primeiro e segundo andar, a que os pais de Ana Paula estão limitados há três dias. Os eletrodomésticos, o sofá e os móveis do rés do chão estão "debaixo de água".
"Está tudo destruído", lamentou. "Desde que me lembro, sempre houve cheias. Mas não com esta dimensão".
Antigamente, recordou, o pai "tinha de sair do primeiro andar de barco", quando havia cheias do Mondego. Mas essas eram "histórias muito antigas".
Na porta da casa vêem sacos de areia e uma mangueira a drenar a água do interior da casa para a rua.
"Isto está melhor do que ontem", assegurou, não deixando de admitir "que é uma tristeza" ver os danos.
"O que vale é que tem o primeiro e o segundo andar e resolvemos a situação".
Previa-se que a situação fosse pior na cidade, que o nível do rio aumentasse mais nas últimas horas, o que não aconteceu e levou à decisão de evitar as evacuações de algumas casas, como neste caso.
Não houve para já uma "inundação centenária", mas a população de Coimbra vai continuar em alerta enquanto o tempo não melhora e o Mondego não regressa ao leito habitual.