Coletes à prova de bala da PSP de Viana do Castelo "pesam 23 quilos"

Os coletes à prova de bala disponibilizados pelo Comando da PSP de Viana do Castelo "pesam 23 quilos", foram concebidos para minas e armadilhas e são "completamente inoperacionais" em missões de patrulha, criticou hoje um agente.

Agência LUSA /

"Já imaginou o que é fazer um serviço de cinco ou seis horas carregando com este peso todo às costas e quase sem poder mexer o pescoço?", questionou aquele agente, que pediu o anonimato, por uma "questão de hierarquias".

"Parecem mais coletes de forças do que coletes à prova de bala", acrescentou, garantindo que "ninguém consegue vesti-los sozinho" e que "quem cair ao chão com aquilo vestido já não se consegue levantar".

Para o referido agente, esta realidade torna "incompreensível" a atitude da Direcção Nacional da PSP de rejeitar os 10 "modernos e extremamente funcionais" coletes à prova de bala que uma companhia de seguros queria oferecer à instituição, depois do homicídio a tiro de dois polícias num bairro da Amadora.

A Direcção Nacional da PSP alegou "critérios éticos" para recusar os coletes, uma vez que "os organismos do Estado, por princípio, não aceitam ofertas que, de algum modo, possam deixar transparecer a promoção de marcas ou empresas".

Esta recusa também já foi criticada pelo presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Alberto Torres, que disse ser "no mínimo estranho" que ela aconteça precisamente numa altura em que os polícias estão a comprar os coletes com o dinheiro do seu bolso, porque os comandos não lhos concedem.

"Por que razão a PSP aceita, como ainda aconteceu recentemente, a oferta de viaturas por parte da Direcção- Geral de Viação e não aceita os coletes, que tanta falta fazem para a segurança dos agentes", questionou Alberto Torres.

O responsável da ASPP lembrou que, apesar de cada colete à prova de bala "poder custar entre 800 a 1.200 euros", os agentes "fazem esse esforço e compram-nos com o seu próprio dinheiro".


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