Comandante da PSP de Lisboa defende "menos discursos alarmistas" sobre segurança

Comandante da PSP de Lisboa defende "menos discursos alarmistas" sobre segurança

O comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP defendeu hoje "menos discursos alarmistas" sobre segurança na praça pública, considerando que esta matéria requer um "trabalho efetivo e de coordenação" entre diferentes entidades, nomeadamente com as autarquias.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Tiago Petinga - Lusa

"As questões de segurança fazem-se com trabalho e se calhar com menos discursos públicos. Faz-se com um trabalho efetivo, coerente, em parceria entre diversos atores sociais, e se calhar menos com discursos algo alarmistas na praça pública", disse o superintendente-chefe Luís Elias, em entrevista à agência Lusa.

Este responsável da PSP respondia à Lusa sobre os alertas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa para o clima de insegurança nas ruas da capital, tenho chegado a afirmar, no passado fim de semana, estar alarmado com a situação.

O comandando do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP sustentou que o autarca de Lisboa "tem toda a legitimidade de preferir as declarações que entender", mas defendeu que "as políticas de segurança pública requerem, muitas vezes, recato, trabalho efetivo e coordenação entre diferentes entidades, entre as quais a própria autarquia".

"Penso que cada vez mais o discurso público relativamente às questões de segurança tem que ser sensato e devemos evitar o alarmismo", referiu, avançando que os números da criminalidade na área do Cometlis não mostram esta situação de insegurança.

Segundo a PSP, a criminalidade geral aumentou 2,9% nos primeiros oito meses do ano na área do Cometlis e a criminalidade violenta e grave desceu 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Luís Elias considerou ser mais importante existir uma cooperação e parcerias permanentes entre a PSP e as autarquias do que "dizer que há uma situação de insegurança generalizada".

Até porque, sublinhou, "não parece que isso seja verdade e os próprios números oficiais não o demonstram".

"Partimos do particular para o todo e estamos a dizer que houve este crime e só por causa de este crime há um clima insustentável de insegurança. É bom que tenhamos a noção e a consciência e que façamos uma avaliação comparativa com outras cidades europeias, com outras realidades em termos internacionais", afirmou.

Luís Elias sublinhou que Portugal não está hoje "fechado e separado do mundo", existindo fenómenos criminais que nascem em outras cidades e acabam por ter impacto também no país.

Como exemplo, referiu que o turismo tem muitos fatores positivos, mas também representa "muitas vezes a importação de alguns fenómenos transnacionais de criminalidade".

O comandante do Cometlis defendeu também a realização de um inquérito à vitimização para se perceber qual o verdadeiro sentimento de insegurança da população para que não seja feito "de forma meramente aleatória ou casuística", considerando que "o sentimento de insegurança acaba por aumentar se for propalado e reproduzido até à exaustão".

"Tenho o dever de tranquilizar as pessoas e de dizer que a Polícia da Segurança Pública tudo faz para garantir a segurança pública e garantir a segurança dos cidadãos. Nos primeiros oito meses de 2026 registou-se uma subida de 10% dos crimes por atividade policial [mais operações e presença da PSP] e uma subida de 9% nas detenções relativamente igual ao período do ano passado", destacou, frisando que isto demonstra "o espírito de sacrifício, profissionalismo e capacidade operacional" da PSP.

"Se temos problemas? Temos. Se estamos preocupados com alguns fenómenos? Estamos. Mas o que é importante é que os poderes públicos tenham a noção de que a segurança é feita em coprodução, não é apenas e só a Polícia de Segurança Pública que tem a responsabilidade por melhorar os índices de segurança ou de criminalidade", avançou.

Luís Elias ressalvou que a PSP tem "um papel central", mas precisa de apoio de diversas entidades públicas e privadas, entre as quais as autarquias, fazendo a Câmara Municipal de Lisboa parte da solução.

O comandante do Cometlis destacou ainda o apoio de muitas autarquias na cedência de recursos materiais para a PSP, como viaturas e equipamento.

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