Começou em Faro julgamento dos inspectores da judiciária

Começa hoje, após o adiamento da primeira sessão na passada sexta-feira, o julgamento de cinco inspectores da Polícia Judiciária acusados de alegadas agressões a Leonor Cipriano no Caso Joana, a menina desaparecida no Algarve em Setembro de 2004.

RTP /
Caso das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da PJ começa hoje em Faro após o adiamento da primeira sessão. RTP

Espera-se que hoje arranque o julgamento dos cinco inspectores da Polícia Judiciária que estão acusados de alegadas agressões a Leonor Cipriano, mãe da menina desaparecida no Algarve em Setembro de 2004.

O Caso Joana regressa hoje ao Tribunal de Faro depois da sessão agendada para a passada sexta-feira ter sido adiada por motivo de falecimento de um familiar de um juiz do colectivo.

Em causa está o julgamento de cinco inspectores da Polícia Judiciária que estão acusados de alegadamente terem agredido Leonor Cipriano, mãe da menina desaparecida em 2004 na aldeia de Figueira, com o intuito de obterem uma confissão.

Três inspectores são acusados de crime de tortura, um de não ter prestado auxílio e de omissão de denúncia, e o quinto de falsificação de documento.

O caso do desaparecimento de Joana na aldeia de Figueira, no Algarve, remonta a 12 de Setembro de 2004, tendo no ano seguinte a mãe e o tio da menina sido condenados por homicídio qualificado.

O caso volta hoje a Tribunal depois de Leonor Cipriano ter acusado os inspectores de a terem agredido para conseguirem uma confissão numa das ocasiões em que, estando presa preventivamente, foi inquirida na Directoria de Faro.

Segundo refere a acusação as agressões terão acontecido em Outubro de 2004, tendo Leonor Cipriano regressado à cadeia de Odemira com hematomas visíveis no rosto.

Três dos arguidos no processo são Pereira Cristóvão, que esteve ligado à captura dos "gangs" da CREL e Multibanco II e que escreveu o livro "A Estrela de Joana", Leonel Marques, que investigou casos de terrorismo como as FP25 e Brigadas Revolucionárias, e Paulo Marques Bom, um dos principais investigadores do "caso Passerelle".

O quarto inspector, Nunes Cardoso, trabalhava no combate ao banditismo em Lisboa, quando foi destacado para o "caso Joana".

O quinto arguido é Gonçalo Amaral, ex-coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão e que liderou inicialmente a investigação ao desaparecimento em Maio de 2007 de uma outra criança, Madeleine McCann, no Algarve.

Entretanto, na passada sexta-feira era divulgada a informação de que o registo das entradas e saídas na Directoria de Faro da Polícia Judiciária, revela que os três inspectores acusados de tortura a Leonor Cipriano, não estavam dentro do edifício no período em que a mãe de Joana diz ter sido espancada.

Uma informação que acaba por confirmar a acusação aos cinco inspectores de que estes não terão sido os autores das agressões, mas sim os mandantes de terceiros que, esses sim, terão praticado as alegadas agressões.

O início da sessão de hoje está marcada para a s 9 horas tendo o Tribunal de Faro escolhido quatro membros efectivos, todos homens, e quatro suplentes para integrar o Tribunal de Júri.

Sabe-se ainda que a Ordem dos Advogados constituiu-se assistente, "como se fosse ofendida", neste processo, com o objectivo de "coadjuvar o Ministério Público na descoberta da verdade".
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