País
Guerra no Médio Oriente
Comer para ajudar: restaurantes em Lisboa apoiam deslocados no Líbano
Até 17 de abril, a associação Caram Portugal está a mobilizar restaurantes libaneses em Lisboa numa iniciativa solidária. Chama-se "Dine & Donate" e parte das receitas angariadas, nas refeições feitas nesses restaurantes aderentes, reverte para ajudar os deslocados da guerra no Líbano, que já ultrapassam o milhão. É comer para ajudar.
A cozinha libanesa é uma cozinha aromática, mas leve, temperada a hortelã e coentros, cominhos, zátar e sumac. À mesa partilha-se. É isso o mezze libanês: um momento de convívio e comunhão à volta de pratos como o hummus, o tabbouleh, o kibbeh, a shoarma ou o falafel. Não estranha, por isso, que uma das iniciativas solidárias da Caram Portugal seja um convite a uma viagem gastronómica pela cozinha do Médio Oriente.
De acordo com as últimas contas das Nações Unidas, já morreram, nos ataques israelitas em território libanês, mais de 1500 pessoas, e o número de deslocados ultrapassa o milhão. É a esses, àqueles que tiveram de abandonar as casas onde viviam, que a Caram Portugal quer chegar. Bassima Jamaleddine, membro da associação, explica que a prioridade é garantir-lhes alimentos, abrigo e medicamentos. No fundo, falta tudo aos deslocados libaneses. "A nossa maior preocupação é a segurança das pessoas. Quando vemos famílias e crianças a dormir na rua, a nossa única prioridade é encontrarmos formas de diminuir o seu sofrimento", afirma.
Encontramos Bassima Jamaleddine à mesa do Sumaya, restaurante de comida libanesa no Príncipe Real, em Lisboa. É um dos restaurantes que aderem, até dia 17 de abril, à iniciativa "Dine & Donate", cujas verbas revertem para organizações que trabalham com os deslocados libaneses. "O valor vai totalmente para a ajuda humanitária. A Caram Portugal envia essas doações para organizações parceiras, de confiança, no Líbano. O dinheiro é usado para ajudar as famílias deslocadas, garantindo que elas têm o básico: comida, um lugar seguro para ficar e cuidados médicos", adianta.
A partir de Portugal, a mais de cinco mil quilómetros de distância, Bassima tenta ajudar como pode; Tarek Mabsoud, proprietário do Sumaya, também. "Esta iniciativa significa muito: é mexer-se, é fazer alguma coisa. É muito importante", considerou.
Tarek Mabsoud vive em Lisboa há 37 anos. Era pequeno quando veio com os pais, nos anos 80, para Portugal, mas nunca deixou a ligação ao Líbano. "Para mim, o Líbano são as pessoas e a maneira como fui acolhido tantas vezes. Não tenho palavras para descrever. Uma coisa que me surpreendeu sempre foi a generosidade das pessoas", explica. E entre elas está a avó, Sumaya - ela que dá o nome ao restaurante, ela que ensinou a Tarek Mabsoud os segredos da cozinha libanesa.
Resta ajudar quem ficou e, desta vez, ajudar significa comer, até 17 de abril, num dos oito restaurantes que aderem à iniciativa da Caram Portugal: o Sumaya, o Mesa, o Bal, o Touta, o Falafoliva, o The Happy Salad, o Maída e o Taza. Era o que Tarek Mabsoud gostava que acontecesse, também, no Médio Oriente. "Vamos largar as armas, vamos sentar-nos à mesa, comer e apoiar aqueles precisam de ser apoiados", concluiu.
Caram é a palavra árabe para "generosidade". A associação, criada em 2022 para unir a comunidade libanesa em Portugal, não esquece as suas raízes e continua a olhar por quem ainda vive no país de origem - e, sobretudo, para quem vive a ameaça da guerra.
De acordo com as últimas contas das Nações Unidas, já morreram, nos ataques israelitas em território libanês, mais de 1500 pessoas, e o número de deslocados ultrapassa o milhão. É a esses, àqueles que tiveram de abandonar as casas onde viviam, que a Caram Portugal quer chegar. Bassima Jamaleddine, membro da associação, explica que a prioridade é garantir-lhes alimentos, abrigo e medicamentos. No fundo, falta tudo aos deslocados libaneses. "A nossa maior preocupação é a segurança das pessoas. Quando vemos famílias e crianças a dormir na rua, a nossa única prioridade é encontrarmos formas de diminuir o seu sofrimento", afirma.
Encontramos Bassima Jamaleddine à mesa do Sumaya, restaurante de comida libanesa no Príncipe Real, em Lisboa. É um dos restaurantes que aderem, até dia 17 de abril, à iniciativa "Dine & Donate", cujas verbas revertem para organizações que trabalham com os deslocados libaneses. "O valor vai totalmente para a ajuda humanitária. A Caram Portugal envia essas doações para organizações parceiras, de confiança, no Líbano. O dinheiro é usado para ajudar as famílias deslocadas, garantindo que elas têm o básico: comida, um lugar seguro para ficar e cuidados médicos", adianta.
Bassima Jamaleddine vive em Portugal há quatro anos, mas tem, à distância, a sua própria experiência da guerra. Num equilíbrio determinado entre o português e o inglês, a futura presidente da Caram Portugal conta que mantém família em Beirute e que, agora, todas as suas irmãs estão deslocadas. "Acompanhamos sem parar o que acontece por lá", diz-nos.
A partir de Portugal, a mais de cinco mil quilómetros de distância, Bassima tenta ajudar como pode; Tarek Mabsoud, proprietário do Sumaya, também. "Esta iniciativa significa muito: é mexer-se, é fazer alguma coisa. É muito importante", considerou.
Tarek Mabsoud vive em Lisboa há 37 anos. Era pequeno quando veio com os pais, nos anos 80, para Portugal, mas nunca deixou a ligação ao Líbano. "Para mim, o Líbano são as pessoas e a maneira como fui acolhido tantas vezes. Não tenho palavras para descrever. Uma coisa que me surpreendeu sempre foi a generosidade das pessoas", explica. E entre elas está a avó, Sumaya - ela que dá o nome ao restaurante, ela que ensinou a Tarek Mabsoud os segredos da cozinha libanesa.
Tarek Mabsoud gostava, agora, de levar a filha ao seu país, mas não sabe se isso vai acontecer em breve. Para já, não há sinais de paz. "Estamos todas as manhãs, a todo o tempo, no telefone a ver o que se está a passar, que novidades é que há, que zonas é que estão em perigo. Desta vez parece-me que há muito mais zonas afetadas e elas têm pessoas que conhecemos, que estão espalhadas pelo país. Todo o país está a passar pela incerteza: Beirute, fora de Beirute - todas as zonas. Podemos inventar desculpas todos os dias para atacar qualquer prédio, qualquer lugar", lamenta.
Resta ajudar quem ficou e, desta vez, ajudar significa comer, até 17 de abril, num dos oito restaurantes que aderem à iniciativa da Caram Portugal: o Sumaya, o Mesa, o Bal, o Touta, o Falafoliva, o The Happy Salad, o Maída e o Taza. Era o que Tarek Mabsoud gostava que acontecesse, também, no Médio Oriente. "Vamos largar as armas, vamos sentar-nos à mesa, comer e apoiar aqueles precisam de ser apoiados", concluiu.