Comerciante denuncia clientes caloteiros afixando dívidas mais antigas na montra
Fundão, Castelo Branco, 22 Jan (Lusa) - Um comerciante do Fundão resolveu denunciar os clientes caloteiros das suas duas lojas, num centro comercial da cidade, e afixou as dívidas mais antigas numa das montras.
Luís Mendes vende electrodomésticos, cortinados e artigos para o lar e diz ter na rua cerca de 10 mil euros em cobranças difíceis.
"Afixo dívidas com mais de cinco anos. Vou dando prazos, aviso várias vezes, até que chega a um ponto que as coloco ali", explicou à Agência Lusa, apontando para a montra com nove tiras de papel, só legíveis ao perto.
Em cada tira, está a identificação do devedor, o que comprou e quanto tem por pagar. São nove, mas já foram pelo menos uma dúzia.
"Algumas já se resolveram e houve pessoas que quando souberam disto até vieram pagar outras dívidas, que nem estavam afixadas", ou seja, há resultados, diz Luís Mendes.
Aliás, a montra vai servindo de `lista negra` para outros comerciantes. "Há colegas que passam por aí e vêm os nomes das pessoas. Já sabem que se lhes aparecerem a pedir fiado ou facilidades de pagamento, não podem facilitar".
Ao lado das tiras de papel, está um aviso escrito por Luís Mendes. "Anda um vírus a invadir os nossos estabelecimentos comerciais designado por caloteiros. Pede-se a todos os lojistas que os denunciem publicamente".
O comerciante acredita que se todos lhe seguissem o exemplo, teriam menos dinheiro na rua, porque acredita que a vergonha é boa cobradora.
"Tenho pedido a outras pessoas para fazerem o mesmo. Seria óptimo, até porque sei que alguns nomes daqui são devedores em muitas lojas do Fundão", acrescenta.
Luís Mendes já chegou a ser ameaçado por uma cliente, por divulgar a sua dívida publicamente, mas não se deixou intimidar. "Pedi um parecer para fazer isto e, além do mais, o próprio Estado divulga a sua lista de devedores na Internet", sublinha.
A denúncia começou por causa de uma cliente, "que andou alguns anos a dar desculpas para não pagar e começou a difamar a loja. Foi nessa altura que denunciei a dívida e atrás dela vieram outras".
Hoje, "já não facilito tanto e tenho levado o crédito para o banco", até porque não é fácil identificar os portadores do `vírus`.
"É extremamente difícil. Quem vê caras, não vê corações. Algumas das dívidas que aí tenho foram feitas por clientes que sempre cumpriram as obrigações, depois levaram uma coisa de maior valor e deixaram de pagar".
No entanto, há alguns sinais a ter em conta. "Quando querem pagar em prestações, mas o valor da prestação não interessa e o que querem é levar o produto para casa, há que ficar de pé atrás", exemplifica.
Patrício Dias, fornecedor das lojas de Luís Mendes, recomenda o método adoptado. "Acho que a é ideia fantástica. Outros comerciantes haviam de fazer isso, porque há muitos casos de cobranças difíceis e isso depois também nos dificulta as vendas", refere.
"Isto é uma roda: se o dinheiro não entra de um lado, não chega ao outro", acrescenta.