Comerciantes do Bolhão vão criar associação para defender mercado

Os comerciantes do Mercado do Bolhão vão criar uma associação de amigos daquele espaço comercial para defender a sua recuperação, anunciou o presidente da Associação de Comerciantes do mercado, Alcino Sousa.

Agência LUSA /

"No princípio da próxima semana anunciaremos novas acções que estamos a preparar, em defesa da recuperação deste mercado, mantendo as funções que sempre desempenhou", acrescentou.

Alcino Sousa falava aos jornalistas durante a vigília que a Associação organizou, formando um cordão à volta do edifício do mercado, em protesto contra a decisão da Câmara do Porto de interditar a ala Sul do edifício, invocando razões de segurança.

Estavam presentes, em solidariedade com a causa dos comerciantes, várias personalidades públicas, entre as quais o músico Pedro Abrunhosa, que foi recebido com palmas.

Hernâni Gonçalves, ex-autarca e comentador televisivo de desporto, também foi recebido calorosamente pelos manifestantes.

Várias personalidades políticas também marcaram presença, nomeadamente os cabeças de lista às eleições autárquicas Francisco Assis (PS), Rui Sá (CDU) e João Teixeira Lopes (BE), embora tenham sido todos recebidos sem qualquer manifestação comparável à dispensada aos não políticos.

Devido ao risco de ruína, a Câmara do Porto decidiu, no passado dia 19, interditar a ala sul do "Bolhão", impondo o dia 28 como data limite para os lojistas com bancas no primeiro piso abandonarem o local voluntariamente.

Os comerciantes afectados contestam o motivo invocado pela autarquia, alegando que, se de facto houvesse perigo de ruína, a Câmara teria que ter também interditado a circulação nas ruas adjacentes, nomeadamente a Rua Formosa.

Estranham também que as lojas viradas para a rua se mantenham abertas e acusam a autarquia de pretender acabar com o mercado para transformar o edifício num centro comercial de luxo.

Na quarta-feira, os comerciantes tinham manifestado a intenção de só abandonar o mercado temporariamente - por 15 dias - a partir de 06 de Agosto, mas viram quinta-feira a sua zona de trabalho vedada com grades.

Apesar das grades e da interdição, os comerciantes violaram a vedação e estiveram hoje a trabalhar normalmente.

A Câmara do Porto justificou a opção tomada, em comunicado publicado no seu "site", alegando que a autarquia "é responsável pela segurança dos próprios comerciantes, mas fundamentalmente dos clientes, que devem estar completamente defendidos de qualquer acidente que possa ocorrer no mercado".

O texto frisa ainda que a autarquia "poderia ser responsabilizada [por um eventual acidente] por conhecer perfeitamente o estado actual do edifício".


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