Comissão de utentes da A17 e A29 recolhe assinaturas contra portagens
Aveiro, 14 Mar (Lusa) - Miguel Bento, da comissão de utentes da A17 e A29, disse hoje que desde que o governo anunciou a colocação de portagens naquelas SCUT as estradas indicadas como alternativas continuam sem condições de o ser.
"A rede de estradas indicada pelo governo como alternativa continua congestionada e não é por colocar um semáforo ou uma rotunda que o problema se resolve", disse Miguel Bento aos jornalistas, no lançamento de um abaixo-assinado conjunto com outras comissões de utentes do norte do país.
No caso da A29, Miguel Bento sublinha a impossibilidade da EN109 lhe servir de alternativa, até porque foi ocupada em alguns troços pela auto-estrada, quando esta foi construída.
"As alternativas indicadas pelo governo estão desajustadas", declarou Miguel Bento, afirmando que "continuam a não existir condições para que a A17 e a A29 sejam portajadas".
A comissão de utentes realça os efeitos negativos de tal medida, se o governo persistir em levá-la a cabo, prejudicando e agravando a situação já de si difícil de muitas pequenas e médias empresas, nomeadamente dos sectores têxtil e do calçado, no norte do Distrito.
Por outro lado, salienta, os trabalhadores da zona deixam de ter alternativa nas suas deslocações diárias para o trabalho.
Miguel Bento estranhou também que aquela comissão não tenha obtido qualquer resposta a um pedido de reunião que fez há um ano ao ministro das Obras Públicas, Mário Lino, a fim de lhe transmitir as suas preocupações.
A comissão organizou já várias acções de protesto contra a introdução de portagens, nomeadamente um "buzinão", distribuição de panfletos de sensibilização junto à portagem de Estarreja da A1 e uma caravana que percorreu o "percurso alternativo" pela EN109, para demonstrar que o mesmo é impraticável.
Desta feita, a comissão de utentes da A17 e 29 junta-se a outras cinco comissões na dinamização da recolha de assinaturas, contra a implementação de portagens nas SCUT`s do Norte Litoral, Costa da Prata e Grande Porto.
A decisão de lançar um abaixo-assinado contra a introdução de portagens nas três SCUT foi tomada sábado, durante uma reunião entre as comissões de utentes que se vêem afectadas pela medida governamental.
O governo anunciou em Outubro de 2006 a decisão de passar a cobrar em 2007 portagens nas SCUT que cumprissem vários critérios, como a existência de vias alternativas gratuitas e que as zonas a atravessar tivessem um Produto Interno Bruto (PIB) igual ou superior a 80 por cento do valor nacional.
Das sete SCUT existentes, a regra seria aplicada a três: Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral.
MSO
Lusa / Fim