Complexo funerário com gestão privada abre hoje para conquistar mercado espanhol

Elvas, 11 Abr (Lusa) - O primeiro complexo funerário do país e com gestão privada, a inaugurar hoje na cidade de Elvas, num investimento de 1,8 milhões de euros, pretende conquistar o mercado espanhol e o do Sul de Portugal.

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Trata-se do primeiro equipamento do sector funerário em Portugal com gestão privada, atribuída à empresa Funelvas (consórcio do Grupo Servilusa e Obrecol), após concurso público lançado pelo município alentejano de Elvas.

"Queremos captar o mercado espanhol, sobretudo da região da Extremadura, e o do Sul de Portugal, que se vê privado, no dia-a-dia, deste género de equipamentos", disse à agência Lusa o director comercial da empresa Servilusa, Paulo Carreira.

Além de um forno crematório, cemitério e de um "jardim da memória", para lançamento de cinzas, o complexo possui quatro salas para velórios e diversas áreas de apoio, como uma capela, florista, marmorista, sala de apoio médico e uma sala de actividades lúdicas para crianças e jovens (enquanto os familiares participam nos actos fúnebres).

Na região Sul de Portugal, existem apenas crematórios em Lisboa e em Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja.

Paulo Carreira justificou a entrada da Servilusa neste "desafio" com o facto de "nenhuma empresa, até ao momento, ter investido no sector em Portugal", que "já está bastante desenvolvido nos Estados Unidos e na Europa".

"Perante esta lacuna e um mercado que se encontra estagnado há vários anos, decidimos avançar para este projecto", sublinhou.

"Nós não privatizámos o cemitério, simplesmente concessionámos o espaço e o equipamento, que continua a ser propriedade da autarquia", garantiu à Lusa o presidente do município de Elvas, Rondão de Almeida.

O autarca assegurou que, "por haver uma empresa que concessiona o espaço, outras empresas do ramo poderão entrar em concorrência".

Questionado sobre um eventual aumento do custo dos funerais, Rondão de Almeida garantiu que "os preços de cemitério e das sepulturas mantêm-se, continuando a estar sob gestão da câmara".

De acordo com a Servilusa, o aluguer de uma sala para velórios vai custar 165 euros por dia, enquanto que o valor a cobrar pelas cremações atinge os 195 euros, um montante inferior ao praticado na vizinha cidade de Badajoz (Espanha), que ronda os 365 euros.

Segundo Rondão de Almeida, o equipamento, situado num espaço de 1500 metros quadrados, pretende "dar qualidade de serviços aos munícipes".

"Com o mesmo preço, vai haver o dobro da qualidade", garantiu.

Hoje, será ainda inaugurada uma Escola dos Profissionais do Sector Funerário, cuja gestão administrativa e pedagógica será da responsabilidade da Associação Portuguesa dos Profissionais do Sector Funerário.

O projecto, segundo o autarca, está a despertar a atenção de outras autarquias, como a da Figueira da Foz, que "já está a desenvolver um espaço idêntico".

"Neste momento existem mais municípios interessados, tais com os de Vila Nova de Gaia, Sesimbra e Portalegre, que marcará presença na inauguração para recolher ideias e para delinear o seu projecto", acrescentou.

HYT.

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