Compreensão da multiterritorialidade poderia tornar mundo mais tolerante
O conceito de muliterritorialidade distingue-se do da globalização e a sua compreensão "poderia tornar o mundo mais tolerante", defendeu quinta-feira o geógrafo brasileiro Rogério Haesbaert, em Lisboa.
Haesbaert, actualmente professor na Universidade Federal Fulminense no Rio de Janeiro, fez estas afirmações numa conferência na Universidade Lusófona, subordinada ao tema "Identidades territoriais.
Da muliterritorialidade à reclusão territorial".
Segundo o geógrafo brasileiro, a multiterritorialidade significa o cruzamento de grupos de vários lugares do mundo, num determinado espaço, como por exemplo, na cidade. Por sua vez, a globalização remete para a integração económica, social, cultural e espacial das sociedades.
O geógrafo argumentou que a sociedade de hoje é fluida, permitindo que se desenraíze da sua identidade e se renove. Esta flexibilidade, segundo Haesbaert, tornaria as sociedades mais tolerantes ao estabelecerem o conhecimento das diferentes identidades.
Para o geógrafo, a globalização precisa de uma consciência comum e, para ele, o "embrião" desta questão, poderia ser o aquecimento global.
Rogério Haesbaert analisou o conceito de multiterritorialidade na elaboração do seu mestrado, no Rio Grande do Sul (Brasil), onde existe uma grande mistura de povos, incluindo portugueses e espanhóis.
Para além disso, explicou, a multiterritorialidade naquela região é marcada pela fragilidade das fronteiras com o Uruguai e a Argentina.