Compta diz que cumpriu prazos e responsabiliza Ministério da Educação

A empresa que elaborou o programa informático para a colocação de professores (Compta) garantiu que cumpriu os prazos e responsabilizou o Ministério da Educação, acusando-o de ter feito alterações sucessivas durante todo o processo.

Agência LUSA /

Os responsáveis da empresa foram hoje ouvidos pela Comissão de Educação da Assembleia da República para esclarecer os problemas registados na colocação de professores de 2004/2005.

Aos deputados, o administrador delegado da Compta, Afonso Chaby, fez o retrato exaustivo de todo o processo, desde o dia do contrato até ao dia 28 de Setembro, data em que saíram as últimas listas de colocação referentes aos professores que pediram destacamento ou afectação.

O administrador lançou críticas não só à anterior equipa ministerial liderada por David Justino, mas também à actual liderada por Maria do Carmo Seabra.

Afonso Chaby garantiu ainda que a empresa tinha as listas de colocação de professores correctas prontas a 26 de Setembro, dois dias antes da divulgação feita pelo Ministério, mas os responsáveis ministeriais, sem nunca terem cortado relações com a empresa, fizeram uma opção política de divulgar as listas elaboradas por um informático contratado para o efeito e que usou toda a base de dados da Compta.



14 versões para o mesmo formulário

Segundo o responsável, os problemas de comunicação entre a empresa e o Ministério da Educação, nomeadamente os serviços da então Direcção Geral da Administração Educativa (agora Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação), surgiram logo com a questão do formulário para os docentes se candidatarem ao concurso, tendo existido 14 versões para o mesmo documento.

De acordo com a lei, o concurso de professores deveria iniciar- se em Janeiro, contudo, acrescentou, devido aos atrasos dos serviços ministeriais, isto só veio a acontecer em Março.

Disse ainda que desde esse momento e até Setembro registaram-se sucessivos pedidos de alteração, tendo a Compta, por diversas vezes, chamado a atenção para os atrasos.

Afonso Chaby falou também de problemas de comunicação ao nível do Ministério, nomeadamente entre o engenheiro que fazia a ponte com a empresa, Fernando Correia, e uma outra engenheira do Ministério. "Quase não se falavam", disse.

Três horas de explicações

A delegação da Compta composta pelo administrador delegado, Afonso Chaby, pelo jurista Ferreira de Almeida, pela engenheira responsável pelo projecto, Dulce Guerra, e pelo engenheiro Fernando Jesus Maria, explanou todo o processo durante mais três horas respondendo a dezenas de perguntas dos deputados.

Afonso Chaby focou por diversas vezes a questão da falta de comunicação, assim como as "sucessivas alterações" durante o processo e insistiu na qualidade do trabalho desenvolvido pela empresa, devolvendo responsabilidades ao ministério.

"Fizemos um trabalho de qualidade. Houve um problema que não foi nosso", disse.

"Se dizem que devemos ir por um determinado caminho nós seguimos. Somos apenas consultores de Software", referiu o responsável para explicar que não cabia à empresa fazer interpretações da lei.

Com a mudança de equipa ministerial em Julho, acrescentou, a empresa, contratada por 200 mil euros, foi abordada e garantiu aos novos governantes que publicaria as listas a 20 de Setembro.

Prazos alterados pelo Ministério

Os responsáveis da empresa, nomeadamente a gestora do projecto, garantem que nunca os prazos foram alterados e que as diversas datas avançadas durante todo o processo são da responsabilidade do Ministério.

Os dados (informação sobre as listas) são lançados às primeiras horas do dia 21 e voltam a ser retirados e Afonso Chaby diz que é nesta altura que recebe a informação por parte do Ministério de que este tem uma outra pessoa de confiança para ajudar.

"Sempre confiei na capacidade da Compta, mas se havia alguém para ajudar porque não?", disse, acrescentando que nesse mesmo dia, às 12:00, foi-lhe apresentado o informático Luís Andrade, que passa assim a receber toda a informação sobre o processo.

Contudo, acrescentou o administrador da Compta, o secretário de Estado da Administração Educativa, José Manuel Canavarro, reafirma a confiança depositada na empresa.

A 26 de Setembro a Compta garante que tinha novas listas mas posteriormente recebe a informação de que o ministério vai avançar com outras listas.

"Não foram publicadas por uma questão política", disse.

Luísa Mesquita, deputada comunista, criticou o procedimento ministerial afirmando que a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, "trabalhou em dois baralhos, numa total ausência de ética", reclamando assim a presença da ministra no parlamento para explicar todo processo aos deputados.

"A senhora ministra trabalhava com a Compta e no tabuleiro ao lado trabalhava com os consultores", disse a deputada.

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