Condenação pedida para Carolina Salgado e absolvição para Pinto da Costa
O Procurador do Ministério Público pediu a condenação da antiga companheira de Pinto da Costa em quatro dos cinco crimes por que responde num conjunto de seis processos que a opõem ao Presidente do Futebol Clube do Porto que para a acusação foi ilibado do crime de ofensas à integridade física de que estava acusado.
Carolina Salgado responde também pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, na forma tentada, ao médico Fernando Povoas e de mandar incendiar os escritórios do advogado portuense Lourenço Pinto e de Pinto da Costa.
Apreciando a prova produzida durante o mediático julgamento o Magistrado do Ministério Público considerou que ficou provada a prática dos crimes de que é acusada convicção formada sobretudo pelos depoimentos das várias testemunhas que prestaram os seus depoimentos ao longo do julgamento.
Dúvidas não ficam, na óptica da acusação, de que em relação a Lourenço Pinto o objectivo da arguida "foi denegrir a imagem" do advogado que qualifica de "reputado" ao imputar-lhe "factos que não ficaram provados" ao longo da audiência de julgamento.
Já em relação a Pinto da Costa, o Procurador tem dúvidas que Carolina Salgado o tenha de facto difamado ao acusá-lo no seu livro de a ter agredido. Mas apesar das dúvidas sempre foi afirmando que não tinha ficado provado em sede de audiência de julgamento que o dirigente do clube portuense lhe tenha desferido bofetadas após a separação do casal.
Essa acusação de desferir bofetadas a Carolina Salgado em momento posterior à separação do casal é a responsável pela constituição de arguido de Pinto da Costa e do único processo em que responde e em que estão envolvidos também um seu motorista, Afonso Ribeiro, e um empresário portuense, Nuno Santos.
Em relação a estes dois últimos arguidos o Procurador limitou-se a endossar a apreciação de eventual culpa para o tribunal.
A audiência de julgamento terminará com a emissão de uma sentença não antes que, exercendo um direito processual os advogados de defesa de Carolina Salgado e Pinto da Costa profiram as suas alegações finais e não antes que seja dada uma ultima oportunidade aos arguidos para declararem o que bem entenderem.
"Não se pensou se o rato tinha lugar na montanha"
O advogado de Pinto da Costa, Gil Moreira dos Santos, usou uma analogia à expressão "a montanha pariu um rato" para se referir ao processo Apito Dourado e aquilo que apelidou de "incêndios" criados à colta do processo judicial que julga a alegada corrupção no futebol.
"Se calhar - o processo - foi mal orientado no princípio, pensando-se no rato da montanha e não efectivamente se o rato podia subir à montanha ou mesmo tinha lugar na montanha", afirmou à margem do lançamento do seu livro "Apitos Desafinados - escute, pare e olhe", que decorreu em Vila Nova de Gaia.
"Pelo caminho, houve muitas expectativas criadas, muitos incêndios", mas no final do julgamento ouve uma "correcta aplicação da lei, afinal", afirmou.
O Presidente do Futebol Clube do Porto foi ilibado em todos os processos que julgavam acusações de corrupção desportiva, decorrendo actualmente apenas um processo que tem a ver com uma alegada fraude fiscal.
O falhanço de alguns agentes processuais envolvidos nesses processos que indiciavam Pinto da Costa aconteceu "porque efectivamente esqueceram que a Justiça, para ser bem administrada, precisa de ser serena, objectiva, não tendenciosa".