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Confederação Empresarial de Portugal vai levar Inteligência Artificial à concertação social
O diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) anuncia na Antena 1 que "vamos colocar esse tema em cima da mesa com essa cultura de compromisso para todos beneficiarmos desta ferramenta".
A CIP entende que os parceiros sociais devem refletir sobre a Inteligência Artificial (IA), já que terá impactos no mercado de trabalho, mas Rafael Alves da Rocha deixa um apelo: "o repto que deixamos é que não deixemos a ideologia inquinar esse debate. Que a ideologia fique de fora deste debate".
E garante mesmo que "há muito tempo que deixou de haver essa necessidade de criar um fosso entre empresários e trabalhadores".
Manuel Carvalho da Silva concorda, mas deixa o aviso: "não há negociação sem ideologia".
Ainda assim o antigo secretário-geral da CGTP reclama que "falem de negociação em plenitude. Os empresários e os trabalhadores sabem que há potencial de negociação no espaço de trabalho diário. Isso existe, mas tem de haver compromisso e hoje tenta fugir-se aos quadros de valores".
O sociólogo mostra-se também muito otimista com os impactos que a IA terá no mercado de trabalho. E deixa uma palavra aos jovens: "não tenham medo das tecnologias. Vão aparecer outros empregos, outras potencialidades, há capacidades criativas, há possibilidade e necessidade de redução de horários de trabalho, de novas formas de adaptação e de conciliação do trabalho com a vida pessoal".
No entanto, e no que diz respeito à extinção de postos de trabalho por causa da IA "há muitas zonas cinzentas". Quem o diz é Teresa Carneiro.
Questionada pelo jornalista e moderador do programa Consulta Pública, Frederico Moreno, sobre se podemos vir a assistir a casos em tribunal relacionados com empresas que despedem trabalhadores para os substituírem por máquinas que passam a executar as funções desses trabalhadores, a advogada prevê que sim, "acho que pode vir a acontecer. Vai correr muita água debaixo da ponte até percebemos se isto é ou não lícito".
A Europa pode regular, mas não pode ter medo da inovação
A advogada da Abreu Associados considera que "criar regras está a funcionar. A questão é que a regulação tem de ser ágil, proporcional e capaz de acompanhar a velocidade a que estes modelos tecnológicos andam. E isso é difícil para não dizer impossível".
Defende mesmo que "a lei nem sempre consegue acompanhar esta velocidade". Teresa Carneiro assume que a Europa é conservadora a regular e por isso pergunta: "como é que a Europa pode permitir uma regulação que permita inovar com confiança?".
Na mesma linha o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) refere que "o facto de a Europa ser conservadora trouxe-nos atrasos. E estamos a sentir isso neste momento na nossa capacidade de responder àquilo que são as capacidades de outros Estados".
Na opinião de Francisco Rodrigues "a Europa tem de ter muito cuidado para não transformar a regulação numa barreira à inovação".
O que está em causa para o tenente-coronel é "de que forma é que vamos conseguindo controlar o descontrolo. O que está aqui em causa é de forma é que ela (a IA) pode ser controlada pelo ser humano".
"IA usada de forma menos positiva tem uma capacidade de destruição absurda"
Nuno Mateus Coelho é especialista em Cibersegurança e não tem dúvidas: a Inteligência Artificial "é uma ferramenta que se torna uma espécie de pilar da sociedade, não obstante não deixa de ser um instrumento que, se usado de forma menos positiva, tem uma capacidade de destruição absurda". Porquê? "Porque temos a tentação de levar estas ferramentas para os lados menos convenientes".
É por isso que Nuno Mateus Coelho defende que "nós é que temos que resistir a tentar levar estas tecnologias para um lado onde o potencial de dano para o ser humano é imenso".
Na opinião do especialista o mais preocupante é se "os sistemas reagem como não esperávamos, quer dizer que quando tivermos que o controlar teremos uma missão mais difícil".
Bernardo Forbes Costa deixa também avisos no Consulta Pública. O especialista em Inteligência Artificial garante que a IA é uma ferramenta útil, mas "quando passamos estas ferramentas para as mãos das pessoas temos de perceber que têm esta capacidade de fazer coisas espetaculares, mas também coisas muito perigosas com impacto na sociedade".
E refere que os alertas que têm sido emitidos pelas empresas de IA "prendem-se ao facto de a ferramenta estar a ficar muito capaz".
Essa capacidade denota-se na medicina. A jornalista Carolina Ferreira foi conhecer o caso da Oftalmologia na Unidade Local de Saúde de Coimbra, onde o diretor está muito otimista com um modelo de Inteligência Artificial que permite analisar informação médica com eficácia.
O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno e planeamento de Rita Soares.