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Congregação religiosa acusada de "raptar" 25 pessoas

Congregação religiosa acusada de "raptar" 25 pessoas

Uma organização espanhola acusou uma congregação religiosa criada à volta de alegadas aparições de Nossa Senhora nos arredores de Madrid de ter feito "desaparecer" pelo menos 25 pessoas ligadas ao culto, entre as quais uma portuguesa.

Agência LUSA /

A acusação é feita pela Associação de Vítimas das Supostas Aparições do Escorial, que acusa a vidente que chefia o movimento, e que alegadamente viu Nossa Senhora, há 25 anos, no Escorial, a cerca de 50 quilómetros sudoeste de Madrid, de coordenar o que dizem ser "uma seita".

"Há pelo menos 25 pessoas que desapareceram, que se esfumaram, de quem as famílias nunca mais ouviram nada", disse à Lusa o presidente da Associação, Juan Carlos Bueno.

Bueno denunciou, em particular, o caso de uma jovem portuguesa de 19 anos, Filipa, que esteve "sequestrada" durante vários dias pela congregação e que só conseguiu sair mediante a intervenção dos tios, que se deslocaram propositadamente de Portugal.

"Temos três casos de jovens espanholas que conseguiram escapar da rede e que denunciaram a situação. O meu próprio irmão, com 33 anos, também foi captado", afirmou.

Segundo Bueno, as pessoas são captadas pela rede que usa "problemas médicos ou outros" de quem acorre ao Escorial, para os "captar".

"Usam a mensagem religiosa e a lavagem cerebral, com ameaças, de que só fazendo isto ou aquilo é que se poderão curar ou ultrapassar as dificuldades que sentem", frisou.

Os casos, afirmou, foram já denunciados tanto em Espanha como em Portugal.

No primeiro sábado de cada mês viajam de Portugal e de vários pontos de Espanha centenas de autocarros com crentes que se congregam para ouvir a vidente, Luz Amparo Cuevas, que diz ter-lhe aparecido Nossa senhora há 25 anos e que mensalmente transmite uma mensagem nova.

A par dos crentes tem vindo também a aumentar o número dos que contestam a congregação e que, com cartazes com fotos dos familiares desaparecidos, também se deslocam ao Escorial.

O local tornou-se um ponto importante de culto e milhares de pessoas juntaram-se ao movimento, conhecido como Obra do Prado Novo ou Fundação Benéfica Virgem das Dolores.

O movimento mantém várias páginas na Internet através das quais distribui imagens dos encontros mensais, disponibiliza serviços de pedidos de oração e vai dando conta de eventos associados às alegadas aparições.

Apesar de várias tentativas da Agência Lusa, não foi possível contactar com nenhum dos responsáveis do movimento.

O único telefone disponível nos serviços espanhóis é um número errado e nas páginas na Internet não há outras formas de contacto que não o correio electrónico.

Mensagens enviadas pela Lusa ainda não receberam qualquer resposta do grupo que, no entanto, denuncia a existência de "indivíduos ou grupos" que acusa de "tentarem boicotar a acção" da congregação.

Juan Carlos Bueno acusou o arcebispo de Madrid, Antonio Rouco Varela, de responsabilidade pelo "agravamento da situação".

Segundo Bueno, o arcebispado de Madrid não reconhece as aparições do Escorial mas começou, recentemente, a reconhecer o movimento gerado em torno do alegadamente milagre.

"Ao fazer isso, estão tacitamente a aprovar as actividades da senhor Cuevas", refere.

Questionada pelo assunto, uma responsável do gabinete de informação do arcebispado de Madrid, que declinou identificar-se, disse à Lusa que o arcebispo "não fez nenhuma declaração sobre as aparições".

Remeteu apenas para uma declaração do anterior arcebispo, Angel Suquia, que em 1985 se referiu às aparições, escusando-se a comentar alargadamente sobre o relacionamento com o movimento do Escorial.

"Nem reconheceu nem não reconheceu (as aparições). Reconheceu porém uma associação privada feminina de fiéis que surgiu como consequência das aparições", explicou a fonte.

Instada a comentar os alegados desaparecimentos, a mesma fonte, recusou a tecer qualquer comentário.

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