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Consumos aditivos diminuem entre estudantes dos 13 aos 18 anos
O estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos aponta para uma evolução globalmente favorável em comparação com a situação observada na edição anterior do estudo, em 2019.
“Verificou-se uma redução consistente na ocorrência de todas as situações problemáticas examinadas, incluindo comportamentos violentos, acidentes, hospitalizações, comportamentos sexuais de risco e outros episódios/eventos que podem resultar em consequências negativas”, refere o ICAD, Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências.
O estudo examina a extensão dos comportamentos aditivos problemáticos entre estudantes dos 13 aos 18 anos em escolas públicas portuguesas.
Em suma, os resultados do presente estudo permitem constatar que, no que aos comportamentos aditivos entre os alunos do ensino público (13-18 anos) diz respeito, o cenário é hoje globalmente menos gravoso, estando os comportamentos de maior risco confinados a uma minoria e sendo mais esporádicos do que frequentes.
Ainda assim, há fenómenos que, face ao estudo anterior, se tornaram mais prevalentes, como o consumo de analgésicos fortes com o intuito de ficar «alterado», o jogo eletrónico e o jogo a dinheiro.
Face à amostra de 2019, os alunos referem ter melhor rendimento escolar, maior supervisão parental e sair à noite menos frequentemente – fatores que parecem contribuir para um ambiente globalmente mais protetor relativamente a comportamentos de risco.
Apesar desta tendência, O ICAD chama a atenção para o facto de não haver, necessariamente, uma redução proporcional dos problemas relacionados com as dependências.
“Em vários indicadores observa-se uma concentração crescente dos comportamentos de maior risco num grupo relativamente reduzido de adolescentes, caracterizado por perfis de maior vulnerabilidade individual e social”, acrescenta o Instituto.
O consumo recente de álcool e, sobretudo, de drogas ilícitas, continua a constituir uma das principais razões de envolvimento em situações problemáticas, o que se tem vindo a agravar desde 2019.
O grupo dos alunos que consome substâncias psicoativas apresenta prevalências significativamente superiores de comportamentos sexuais de risco, problemas com a polícia, violência interpessoal, acidentes e outras situações potencialmente gravosas.
“Os adolescentes que acumulam consumo recente de álcool e de drogas ilícitas, mesmo que não na mesma ocasião, apresentam níveis substancialmente mais elevados de envolvimento em acidentes, problemas com a polícia, cyberbullying e comportamentos sexuais de risco quando comparados com aqueles que consomem apenas bebidas alcoólicas”, refere o comunicado.
O sexo masculino continua a apresentar maior envolvimento na maioria dos indicadores analisados, particularmente no que respeita aos problemas com a polícia, ao risco associado ao jogo eletrónico e ao jogo a dinheiro.
As raparigas destacam-se pela maior prevalência de utilização problemática das redes sociais e pelo recurso ao consumo de álcool como estratégia para lidar com dificuldades emocionais.
Lisboa deixa de assumir a posição de maior vulnerabilidade observada em 2019.
Índice precoce: álcool e tabaco à frente
O álcool e o tabaco são as substâncias de consumo mais precoce: 30% dos alunos ingeriram uma bebida alcoólica com 13 anos ou menos e uma percentagem inferior fumou um cigarro de combustão (7%) e um cigarro eletrónico (6%) com a mesma precocidade. Entre os inquiridos, menos prevalente é a iniciação à canábis (1%) e a experiência de embriaguez severa com estas idades (4%).
Considerando apenas a população consumidora, destaca-se também a precocidade do álcool e do tabaco. Entre aqueles que já tomaram uma bebida alcoólica ou fumaram um cigarro de combustão, 48% e 29% fizeram-no com 13 anos ou menos, respetivamente. Por outro lado, 24% dos consumidores iniciaram o consumo de cigarros eletrónicos com estas idades, sendo a percentagem de início precoce do consumo de canábis de 17% e da experiência de embriaguez severa de 6%.
Álcool com descida generalizada
No caso das bebidas alcoólicas, face à última edição do estudo de 2019, verifica-se um decréscimo muito acentuado do consumo, variando entre -9 percentuais (últimos 30 dias) e -11pp. (últimos 12 meses), sendo que os valores relativos à embriaguez severa no último ano e ao consumo binge nos últimos 30 dias também desceram (-7 e -3 pp., respetivamente).
O consumo de álcool passou a ser uma prática mais feminina do que masculina.
Face ao estudo anterior, são hoje menos os alunos que iniciam os consumos em idades precoces (13 anos ou menos), tendo a iniciação precoce ao álcool e ao tabaco de combustão descido de uma forma muito acentuada.
A maioria dos inquiridos (58%) ingeriu pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da vida, sendo que um pouco menos de metade (48%) bebeu álcool nos 12 meses anteriores à inquirição. Os consumidores atuais de álcool, isto é, os alunos que tomaram uma bebida alcoólica nos 30 dias anteriores à inquirição, constituem um pouco menos de 1/3 dos inquiridos (30%).
Entre as bebidas alcoólicas mais consumidas no último mês, destacam-se os alcopops (24%), a cerveja (22%) e as bebidas destiladas (22%), seguindo-se, com prevalências um pouco inferiores, as misturas caseiras (18%) e o vinho (17%).
Tabaco em queda cada vez mais acentuada
O tabaco é a segunda substância psicoativa mais consumida pelos alunos: 25% fumaram tabaco alguma vez na vida, enquanto 17% fizeram-no no último ano e 10% no último mês.
Ainda assim, há uma quebra do consumo de tabaco na sua globalidade, que é feita à custa de um decréscimo muito expressivo do consumo de cigarros ditos tradicionais, em particular entre os rapazes, sendo que os alunos mais novos tendem hoje a preferir fumar cigarros eletrónicos.
Embora sejam muito poucos os inquiridos que consomem tabaco diariamente (2% no que diz respeito a cigarros ditos tradicionais e 1% a cigarros eletrónicos), uma percentagem considerável de consumidores atuais adota este padrão de consumo (22%, no caso dos cigarros ditos tradicionais, e 12%, no caso dos cigarros eletrónicos).7% dos alunos já consumiram alguma vez uma qualquer droga ilícita, sendo um pouco inferior a percentagem que o fez no último ano (6%) e ainda menos os que o fizeram no mês anterior à inquirição (3%). A canábis é, de longe, a substância ilícita mais consumida.
Face a 2019, também o consumo de drogas ilícitas se tornou menos prevalente, sendo a descida proporcionalmente bastante acentuada, seja no que diz respeito à canábis, seja no que no concerne às outras drogas ilícitas.
À semelhança do tabaco, diminuiu também a percentagem de consumidores de canábis que consomem numa base diária.
Quanto aos medicamentos, o consumo ao longo da vida de tranquilizantes/sedativos e de nootrópicos com indicação médica diminuiu de forma acentuada e o consumo não-prescrito regista pequenas variações, enquanto os valores relativos ao consumo não-prescrito de analgésicos fortes duplicaram entre 2019 e 2024.
8% dos alunos consumiram alguma vez na vida por indicação médica tranquilizantes/sedativos e 3% consumiram estimulantes cognitivos (nootrópicos).No que respeita à perceção de facilidade de acesso, há menos alunos a considerar fácil o acesso às diversas substâncias psicoativas, sendo que a descida é mais acentuada no que se refere a cigarros ditos tradicionais e a alcopops.
Jogos a dinheiro mais prevalentes
A subida do jogo a dinheiro nos últimos 12 meses fez-se muito à custa de um grande aumento entre as raparigas e entre os alunos mais novos. Face a 2019, há menos jogadores a jogar em lotarias e, sobretudo, a fazer apostas desportivas, enquanto há mais a jogar cartas/dados a dinheiro e em slot machines.
Em comparação com a última edição, entre os alunos, o jogo a dinheiro distribui-se hoje por várias formas de jogo, em vez de estar concentrado sobretudo nas apostas desportivas.