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Contaminação no Rio Douro 50 vezes acima do limite aceitável

Contaminação no Rio Douro 50 vezes acima do limite aceitável

A contaminação no troço final do rio Douro diminuiu consideravelmente relativamente "ano do descalabro" de 2003, mas ainda permanece cinquenta vezes acima do limite legal, disse hoje à agência Lusa o hidrobiólogo Bordalo e Sá.

Agência LUSA /

Há três anos, a poluição nos últimos oito quilómetros do Douro era 500 vezes superior ao aceitável, valor que em 2004 desceu para 122 vezes acima do limite e se fixa agora em 50 vezes mais do que o tecto fixado pelas autoridades sanitárias para banhos (3,3 UFC/ml).

Bordalo e Sá, cientista do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), desvalorizou os ganhos obtidos, assinalando que nos últimos anos entraram em funcionamento oito estações de tratamento de águas residuais (ETAR) no Douro.

"Com as ETAR, poderia supor-se que o estuário estaria imaculado, mas isso não acontece porque subsistem afluentes do Douro a receberem dejectos de milhares de residências, drenando-os para o rio, sem qualquer tratamento", acrescentou.

Bordalo e Sá, que desde 1985 monitoriza ambientalmente o Douro, identificou mais de duas dezenas de ribeiras que desaguam nos oito quilómetros finais do Douro - a maioria entubadas há dois séculos - e que, em rigor, se equiparam a canos de esgoto.

Casos "mais paradigmáticos", nos troços médio e inferior do estuário do Douro, são os das ribeiras da Granja, da Vila ou de Quebrantões e dos rios Tinto, Torto ou Febros, disse.

O hidrobiólogo destacou também que muitos esgotos domésticos são escoados indevidamente para sistemas específicos de águas pluviais.

Fonte da empresa Águas do Porto, EM, admitiu à agência Lusa que 25 mil dos seus 150 mil clientes só pagam factura de água, não estando ainda ligados à rede de drenagem de esgotos tratados nas ETAR do Freixo e da Sobreira.

Ou seja, 10 mil habitações da segunda cidade portuguesa, onde residem 16,7 por cento dos clientes da Águas do Porto, estão sem acesso a um sistema de drenagem e depuração de esgotos aceitável, aos níveis ambiental e de saúde pública.

"Falta construir 50 quilómetros de rede", admitiu a fonte da Águas do Porto, empresa recém-constituída a partir dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS).

Os SMAS estimularam as ligações das habitações à rede de esgotos através de uma baixa das taxas, iniciativa ainda válida com a nova empresa.

Enquanto desenvolve um investimento de 70 mil euros noutra frente - num colector para dirigir à ETAR de Sobreira esgotos agora despejados directamente no mar (Praia do Molhe) - a Águas do Porto anuncia planos para retirar a carga de esgotos das ribeiras subterrâneas da cidade.

Este esforço de investimento está na linha do preconizado por Bordalo e Sá, mas o investigador considera-o insuficiente, por não ser concertado com os municípios vizinhos.

O cientista advertiu que só se conseguirá uma qualidade de água aceitável quando surgir um plano concertado para descontaminação de afluentes e subafluentes do grande rio ibérico (a maior bacia hidrográfica da Península, com 97.820 quilómetros quadrados) e o que mais problemas de poluição enfrenta em território português.

Nos cálculos do cientista, o rio Douro recebe, tratados ou não, dejectos produzidos por um milhão de pessoas em período diurno e 750 mil durante a noite.

"O Grande Porto não pode passar o tempo a choramingar que só se fazem coisas em Lisboa quando, relativamente à despoluição do Douro, os municípios estão de costas voltadas, a Junta Metropolitana está ausente e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional anda virada para outras preocupações", criticou Bordalo e Sá.

A deputada socialista pelo Porto Lurdes Ruivo disse ter obtido garantias do Governo de que o Plano de Saneamento e Águas Residuais para 2007-2013 vai contemplar a despoluição da bacia do Douro.

Segundo a parlamentar socialista, o plano estratégico, que vai aproveitar verbas do Quadro Referência Estratégica Nacional (fundos comunitários) vai consagrar, para o Douro, a construção de redes de drenagem de esgotos em baixa e o lançamento de novas ETAR.

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