País
Contas da Fenprof. Professores a ensinar mais de 200 alunos e a cumprir mais de 50 horas por semana
O esgotamento é um risco crescente entre uma classe docente com profissionais que têm mais de 200 alunos ou mais de 11 turmas a cargo. O alerta é da Fenprof, que levou a cabo um inquérito junto de professores sobre as condições de trabalho em escolas de todo o país. O retrato conhecido esta quinta-feira revela, entre outros dados preliminares, semanas laborais de mais de 50 horas.
De setembro a outubro de 2023, foram auscultados 4.471 docentes neste inquérito da Federação Nacional dos Professores. A denúncia de trabalho excessivo havia já sido feita em 2017, quando as semanas laborais dos professores atingiam as 47 horas. “A situação agravou-se”, aponta, em declarações à agência Lusa, o dirigente sindical Vítor Godinho.
Em causa estão condições de trabalho que podem levar os professores “à exaustão”, ainda segundo este responsável do Secretariado Nacional da Fenprof. Somam-se as “situações de burnout.Na ótica da Fenprof, é “preciso impedir que a ilegalidade se instale” em matéria de horas semanais de trabalho, para que “o inferno não seja o limite”.
O inquérito, cujos dados são elencados pela Lusa, indica que 43,2 por cento dos professores ensinam mais de 100 alunos. Trinta e oito por cento têm entre 100 a 200 e os demais 5,3 por cento têm mais de duas centenas.
“Os professores já não estão a dar o melhor de si. Ao terem 200 alunos a cargo, torna-se difícil conhecê-los a todos”, aponta Vítor Godinho.
Só metade dos professores tem atribuídas menos de cinco turmas, número que a Fenprof define como limite máximo. Um em cada cinco professores, ou 19,5 por cento, tem sete ou mais turmas e 4,2 por cento tem 11 ou mais.
Em média, os professores trabalham, em Portugal, mais de 50 horas por semana. Ou seja, mais 15 do que o previsto na lei – designadamente a preparar aulas, a apoiar alunos com dificuldades, a corrigir testes e a desempenhar tarefas do foro burocrático. O horário dos docentes é de 35 horas semanais. Todavia, em média, os professores dos 2.º e 3.º ciclos, bem como do ensino secundário, trabalham 50 horas e 15 minutos, de acordo com o inquérito da Fenprof.
Em 2017, os docentes trabalhavam, em média, 47 horas semanais. Atualmente, cumprem mais três horas e meia. Somam, em média, 16 horas e 35 minutos a dar aulas e outras 18 em tarefas como a preparação de aulas e as avaliações dos seus alunos.
A Fenprof destaca o trabalho que vai desde cargos pedagógicos a apoio a alunos, tarefas administrativas, reuniões, substituição de colegas que faltam ou coadjuvações em sala de aula. Em média, os professores gastam 15 horas e 45 minutos na “componente não letiva de estabelecimento”, observa o inquérito.A carga burocrática ocupa mais de quatro horas semanais. “Os professores gastam mais uma hora por semana em tarefas burocráticas do que em apoio aos seus alunos”, lamenta Vítor Godinho.
A Federação Nacional dos Professores volta a propor medidas que visam garantir as 35 horas semanais, desde logo “uma distinção séria e clara entre componentes letiva e não letiva do horário dos professores”. Outra das reivindicações é a garantia de que os professores não fiquem com mais de 100 alunos, cinco turmas e duas disciplinas, níveis ou áreas curriculares.
O caderno da Fenprof inclui ainda a redução da componente letiva de base para 20 horas semanais e a redução para quem tem cargos de natureza pedagógica “em número de horas condizente com as funções e tarefas a desempenhar”.
c/ Lusa
Em causa estão condições de trabalho que podem levar os professores “à exaustão”, ainda segundo este responsável do Secretariado Nacional da Fenprof. Somam-se as “situações de burnout.Na ótica da Fenprof, é “preciso impedir que a ilegalidade se instale” em matéria de horas semanais de trabalho, para que “o inferno não seja o limite”.
O inquérito, cujos dados são elencados pela Lusa, indica que 43,2 por cento dos professores ensinam mais de 100 alunos. Trinta e oito por cento têm entre 100 a 200 e os demais 5,3 por cento têm mais de duas centenas.
“Os professores já não estão a dar o melhor de si. Ao terem 200 alunos a cargo, torna-se difícil conhecê-los a todos”, aponta Vítor Godinho.
Só metade dos professores tem atribuídas menos de cinco turmas, número que a Fenprof define como limite máximo. Um em cada cinco professores, ou 19,5 por cento, tem sete ou mais turmas e 4,2 por cento tem 11 ou mais.
Mais de 50 horas por semana
Em média, os professores trabalham, em Portugal, mais de 50 horas por semana. Ou seja, mais 15 do que o previsto na lei – designadamente a preparar aulas, a apoiar alunos com dificuldades, a corrigir testes e a desempenhar tarefas do foro burocrático. O horário dos docentes é de 35 horas semanais. Todavia, em média, os professores dos 2.º e 3.º ciclos, bem como do ensino secundário, trabalham 50 horas e 15 minutos, de acordo com o inquérito da Fenprof.
Em 2017, os docentes trabalhavam, em média, 47 horas semanais. Atualmente, cumprem mais três horas e meia. Somam, em média, 16 horas e 35 minutos a dar aulas e outras 18 em tarefas como a preparação de aulas e as avaliações dos seus alunos.
A Fenprof destaca o trabalho que vai desde cargos pedagógicos a apoio a alunos, tarefas administrativas, reuniões, substituição de colegas que faltam ou coadjuvações em sala de aula. Em média, os professores gastam 15 horas e 45 minutos na “componente não letiva de estabelecimento”, observa o inquérito.A carga burocrática ocupa mais de quatro horas semanais. “Os professores gastam mais uma hora por semana em tarefas burocráticas do que em apoio aos seus alunos”, lamenta Vítor Godinho.
A Federação Nacional dos Professores volta a propor medidas que visam garantir as 35 horas semanais, desde logo “uma distinção séria e clara entre componentes letiva e não letiva do horário dos professores”. Outra das reivindicações é a garantia de que os professores não fiquem com mais de 100 alunos, cinco turmas e duas disciplinas, níveis ou áreas curriculares.
O caderno da Fenprof inclui ainda a redução da componente letiva de base para 20 horas semanais e a redução para quem tem cargos de natureza pedagógica “em número de horas condizente com as funções e tarefas a desempenhar”.
c/ Lusa