Contenção de javalis na Arrábida vai incidir nos canais de entrada na zona urbana e praias

Contenção de javalis na Arrábida vai incidir nos canais de entrada na zona urbana e praias

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai reforçar o plano de contenção da população de javalis na Arrábida, em Setúbal, incidindo nos canais de entrada no espaço urbano e praias.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ilie Barna - Unsplash

O diretor regional de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, Carlos Albuquerque, explicou, em declarações à Lusa, que o controlo da população de javalis tem sido feita numa zona mais afastada da cidade, pretendendo-se agora reforçar a estratégica para permitir que a contenção seja feita nos canais de entrada no espaço urbano e nas praias.

"Para já, vamos identificar as zonas de passagem e tentar fazer alguma extração dos animais com armadilhas ou caça", disse Carlos Albuquerque.

Ainda segundo o responsável, o ICNF está a dar prioridade aos pedidos de Correção de Densidades Excessivas de javali na área do Parque Natural da Arrábida (PNA). No entanto, o PNA tem poucos terrenos do Estado, sendo na sua maioria de privados, pelo que o controlo da densidade populacional dos javalis é feito pelos proprietários, com pedidos dirigidos ao ICNF e operacionalizados por pessoas certificadas.

O avistamento de javalis na cidade de Setúbal e nas praias da Arrábida tem vindo a ser relatado nas redes sociais. Os animais têm deixado alguns danos nas praias da Arrábida e na cidade de Setúbal e a população fala em “descontrolo” desta espécie selvagem.
Telejornal | 10 de agosto de 2026

De acordo com o ICNF, não existem dados absolutos sobre a dimensão das populações de animais selvagens, embora no Parque Natural da Arrábida, no último ano cinegético (01 de junho 2025 até 31 de maio de 2026) se tenham registado cerca de 700 abates de animais por ano, mantendo-se a população numerosa, mas estável.

Em comunicado, o ICNF refere ainda que "o aumento de avistamentos de javalis em áreas urbanas não é um fenómeno novo nesta altura do ano e não decorre, necessariamente, de um crescimento descontrolado da população ou da escassez de água e alimento nas zonas habituais de presença da espécie".

O aumento está, segundo o ICNF, muitas vezes associado ao período pós-nascimento, fase em que os animais exploram novos territórios, tornando-se mais visíveis para as populações humanas.

"O ICNF está consciente dos constrangimentos associados aos avistamentos de javalis em áreas urbanas e tem trabalhado em estreita colaboração com as autoridades locais, tendo em vista a adoção das medidas mais adequadas em cada situação", indica o instituto, adiantando que não tem competência para autorizar o abate de javalis em áreas urbanas "por estarem em causa questões de segurança pública".

Carlos Albuquerque reforçou os avisos, lembrando que os javalis são animais selvagens cujo comportamento é imprevisível e apelando às pessoas para que contactem sempre as autoridades, nomeadamente a Guarda Nacional Republicana e a Policia Marítima, em casos de avistamentos na área urbana ou nas praias, que não deem alimentos, evitem a aproximação com crianças e cães e coloquem o lixo nos contentores.

O Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, elaborado pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, recomenda, num horizonte de 5 a 10 anos, o reforço dos esforços para aumentar a taxa de extração da espécie em 20 a 30%, tendo em conta os riscos para a segurança de pessoas e bens, as implicações em matéria de saúde pública e os impactos negativos sobre habitats, espécies e o equilíbrio dos ecossistemas.

Em 2025, foi alterado o decreto-lei regulamentar da caça, permitindo que a caça ao javali possa decorrer durante todos os dias do ano.

A legislação em vigor possibilita, assim, a realização de ações de correção de densidade de javalis sempre que se considere existir um excesso populacional desta ou de outras espécies cinegéticas, mediante autorização do ICNF, a pedido das entidades competentes.

c/Lusa
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