Contingente da GNR deve partir sexta-feira para Timor-Leste
Os 120 militares da GNR deverão partir para Timor-Leste na sexta-feira de manhã, adiantou esta quarta-feira em Lisboa o porta-voz da Guarda, tenente-coronel Costa Cabral.
Costa Cabral negou que tenha havido um adiamento da partida dos militares, porque a viagem nunca foi oficializada para quinta-feira à noite.
O porta-voz falava na cerimónia de despedida dos militares da GNR, junto à Torre de Belém, que contou com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates.
A partida deverá ter lugar na sexta-feira de manhã por uma questão logística, porque permite que os 120 militares cheguem a Díli de dia.
Os guardas irão partir do Aeroporto Militar de Figo Maduro, em Lisboa, sendo transportados por um avião civil e fazendo uma escala na Arábia Saudita.
Um avião de carga irá transportar o material, incluindo viaturas.
Segundo Costa Cabral, os familiares dos guardas poderão deslocar-se a Figo Maduro para se despedirem.
Entre 60 a 80 por cento dos elementos têm experiência em missões no estrangeiro, nomeadamente no Iraque.
A missão, que não integra mulheres por questões de alojamento, será comandada pelo capitão Carvalho, que já chefiou missões da GNR no Iraque e em Timor-Leste.
Em Díli estão já os reforços do Grupo de Operações Especiais da PSP, que, além da missão inicial de protecção dos portugueses e da Embaixada de Portugal, são agora também responsáveis pela protecção pessoal do chefe da missão da ONU em Timor-Leste.
Timor-Leste, em particular Díli, vive uma situação de violência desde o final de Abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido desmobilizados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), após protestos contra alegados actos de discriminação étnica por parte dos superiores hierárquicos.
A crise agravou-se com a deserção de efectivos das F- FDTL e da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e após confrontos entre elementos das duas forças e grupos de civis armados, que provocaram vários mortos, as autoridades timorenses solicitaram a ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para repor a ordem.
A Austrália foi o primeiro país a responder ao pedido, tendo já enviado 1.800 soldados para Timor-Leste, onde se encontram também entre 200 e 250 efectivos da Malásia.