Jogar faz parte da natureza humana e, por estes tempos, os meios eletrónicos vêm dar uma ajuda no combate ao tédio.
Habituado a olhar os jogos de uma outra perspetiva, Ivan Barroso, historiador e professor de Arte e Multimédia na Escola Técnica de Imagem e Comunicação - ETIC - afirma que este mercado, com o encerramento da sociedade em casa, tornou-se mais apetecível.
No contexto global a empresa especializada neste mercado refere que 4,3 milhões de jogos foram vendidos entre dia 16 e 22 de março, o que representa um salto de 63% em relação à semana anterior (9 a 15 de março).
O facto é que com a imposição de quarentena em determinados países, como a Itália e Espanha, a procura de consolas e material eletrónico disparou.
Estes valores podem também refletir o lançamento de um novo jogo da Nintendo, Animal Crossing: New Horizons, mas mesmo fazendo comparação com outros lançamentos em tudo semelhantes, o mercado já apresentava uma subida de 44 por cento em comparação com o mesmo período da semana anterior.
Também do outro lado do Atlântico, as sessões de jogos online subiram 75%, com os streamers a aumentarem 12%.
Método de "escapismo"
Diz o velho ditado que "por trás de uma crise, existem janelas de oportunidades". E esta crise pandémica abre ainda mais portas a este mercado, que só por si é atrativo e dedicado aos mais isolados socialmente (gamings).
E a estrelinha parece ter sorrido à Nintendo que acaba de lançar um jogo, esperado por muitos e que aumentou as vendas neste segmento.
Não há um jogo específico para esta altura de confinamento. Desde os jogos de telemóvel, de fácil acesso, aos das consolas móveis, aos computadores, este mundo permite uma palete muito diversa a nível de opções de jogos com motivos de diversão.
Jogo. Motivo de afastamento familiar?
Quando se pensa no duo jogador/computador aplica-se a ideia de isolamento. Mas em tempo de confinamento, os jogos também podem ser motivo de aproximação e reunião.
A provar isso mesmo estão os jogos familiares, bem como os de exercício físico que nesta altura nos ajudam a manter o corpo em movimento.
Também se joga com a pandemia
Pode parecer estranho, mas todos os temas são bons para criar um jogo e um surto epidémico é tão válido como qualquer outro.
O professor e historiador de Arte e Multimédia, conhece bem os recantos deste mercado e "espalhar" um vírus pelo planeta é normal neste mundo virtual.
Exemplo disso é um dos jogos em plena construção, totalmente criado por um grupo de jovens portugueses, e que pretende para além do entretenimento, ensinar e mostrar os perigos existentes na vida real.
De nome Chama, este jogo 100% Made in Portugal, retrata um dos flagelos nacionais que é o combate aos fogos, que todos os anos queimam milhares de hectares e vitimam várias regiões e população.
Um jogo que o professor e historiador de Arte e Videojogos e Multimédia está a seguir com particular atenção, pois os criadores são alunos de Ivan Barroso na ETIC.
"Os alunos estão sensibilizados para experienciarem outro tipo de experiências que não seja só um produto comercial, mas que tenha algo mais a dizer." O que se está a tentar fazer é que os "jogos sejam também mecanismos de aprendizagem ou de contar histórias de outra forma”.