Corpo do sargento Roma Pereira chegou a Lisboa
O corpo do primeiro-sargento dos Comandos João Paulo Roma Pereira, morto sexta-feira no Afeganistão, era aguardado por familiares e militares dos três ramos das Forças Armadas.
No hangar do aeroporto militar, onde foi montada uma capela improvisada, esteve também o primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Defesa, Luís Amado, o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante Mendes Cabeçadas, e os chefes do Exército, Marinha e Força Aérea.
A urna, coberta por uma bandeira portuguesa, saiu do avião que a transportou (um Hércules C-130 da Força Aérea) e foi levada em ombros até ao hangar por seis elementos dos Comandos, por uma ala formada por 60 militares dos três ramos das Forças Armadas.
Na capela improvisada, com uma lona militar em fundo e uma pequeno altar azul e branco, o corpo foi encomendado numa curta cerimónia religiosa presidida pelo bispo das Forças Armadas e das forças de segurança, D. Januário Torgal Ferreira.
Na homilia, o prelado enalteceu a "alta qualidade de exemplo" do primeiro-sargento Roma Pereira: "desde longa data que os seus camaradas o consideravam responsável e solidário".
"João Paulo não devia deixar-nos tão cedo. à semelhança de Jesus Cristo que, assassinado, morreu aos 33 anos", prosseguiu o bispo.
D.Januário Torgal Ferreira considerou a morte do militar português, numa explosão à passagem da viatura blindada em que seguia nos arredores de Cabul, "o sinal de um risco sem rosto e de uma ameaça sem contorno".
Sublinhando que "a paz é um assunto demasiado sério" e dirigindo palavras de "condolências e esperança" ao batalhão português em missão em Cabul, D.Januário Torgal Ferreira defendeu que a morte de João Paulo Roma Pereira "não pode ser fonte de desânimo".
"Fácil é ganhar contendas. Só sábios plantam a difícil oliveira da paz", disse o bispo antes de se dirigir à filha do sargento falecido.
"Um dia, com o tempo a correr, diremos a esta criança de quatro anos: o teu papá morreu ao serviço de uma missão que escolheu livremente com o brio de um comando militar. Perdeste um pai, ganhaste um exemplo, uma honra, um herói", afirmou D.Januário.
Depois da curta homilia, ouviram-se cânticos, entoados por alunas do Instituto de Odivelas, e foi prestada uma homenagem aos numerosos familiares presentes do primeiro-sargento dos Comandos (unidade de Forças Especiais do Exército), incluindo a viúva.
José Sócrates, Luís Amado e o representante do Presidente da República, o chefe da Casa Militar, general Faria Leal, dirigiram-se em seguida, em silêncio, para a sala VIP do aeroporto militar, sem prestar declarações aos jornalistas.
O corpo de João Paulo Roma Pereira segue agora para o Instituto de Medicina Legal, onde o óbito será confirmado, e depois para a vila alentejana Alandroal, de onde o militar era natural.
No funeral deverá estar o Chefe de Estado-Maior do Exército, Valença Pinto, "ou alguém do Estado-Maior" em sua representação, informou Pedro Carmona, porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas.
O comandante Pedro Carmona adiantou ainda que serão agora accionadas "as medidas de apoio legalmente estabelecidas" aos familiares do soldado falecido.
Na cerimónia marcaram presença cerca de 40 membros da Associação de Comandos, devidamente identificados com a boina vermelha deste corpo do Exército.
André Pereira, que combateu em Moçambique entre 1967 e 1969, preside à delegação de Lisboa e foi a voz da tristeza dos antigos Comandos: "Sentimos uma tristeza profunda, mas também muito orgulho e admiração. Foi um homem que defendeu a imagem dos Comandos e de Portugal no mundo".
Para o antigo Comando, a morte de Roma Pereira "não vai abater" antes "fortalecer o moral" dos 147 camaradas de Roma Pereira ainda em missão em Cabul, que "não vão deixar que a sua morte tenha sido em vão".
O primeiro-sargento João Paulo Roma Pereira morreu sexta-feira na sequência da explosão que atingiu uma viatura de uma patrulha portuguesa em Cabul, Afeganistão.
A explosão deixou ainda ferido com gravidade o primeiro-cabo Horácio da Silva Mourão, internado desde sexta-feira no Hospital Militar da Base Aérea de Koblenz, e feriu sem gravidade outros dois Comandos.