Costa critica “lamentável especulação e aproveitamento político” das vítimas dos incêndios

| País

|

O primeiro-ministro classificou de “absolutamente lamentável” o que aconteceu esta semana sobre o número de vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande, criticando a especulação e o aproveitamento político.

"Foi absolutamente lamentável o que aconteceu esta semana em termos de especulação e em termos de aproveitamento político", disse António Costa aos jornalistas, depois de uma reunião com a Proteção Civil sobre a situação dos incêndios que lavram no território.

Questionado sobre o tema, António Costa considerou que a polémica sobre o número de vítimas mortais só surgiu “quando resolveram especular e acusar o Governo de estar a tentar esconder o número de vítimas” do incêndio.

“Uma das acusações mais parvas que já ouvi”, atirou Costa, lembrando que a lista de vítimas mortais só entrou em segredo de justiça dia 14 de julho e até lá ninguém tinha solicitado essa lista.

António Costa secundou as declarações do Presidente da República, considerando que “só numa ditadura é possível tentar esconder o número de vítimas”.

Costa considerou que não podia divulgar os nomes das vítimas mortais porque incorreria num crime de violação do segredo de justiça, não querendo comentar as decisões judiciais.


"Estou muito satisfeito que a divulgação tenha posto termo a esta especulação e tenha confirmado aquilo que todas as autoridades tinham afirmado", realçou o chefe do Executivo, alertando que se deve confiar nas instituições e não em fontes não confirmadas.

Um episódio "excecional", diz Costa, que diz que espera que esta semana tenha "servido de lição para toda a gente e todos passemos a respeitar quer as instituições do Estado, como o rigor e a verdade que deve presidir ao debate democrático".

"Alguém acha que se em vez de 64 vítimas mortais em Pedrógão, tivéssemos tido 30, o drama era menor? Tinha sido à mesma uma tragédia absolutamente horrível", considerou.

Para o chefe de Governo, é necessária nestas situações informação "com rigor e qualidade", lembrando que "era falsa a ideia de que o Governo queria esconder a realidade".

"Os ultimatos e as ameaças de censura eram absolutamente abusivas e formas de aproveitamento político lamentável", concluiu.
“Não vou fazer de treinador de bancada”
Questionado sobre os contornos do combate aos fogos esta semana, o primeiro-ministro disse que não vai fazer de treinador de bancada, relembrando que existe uma estrutura profissionalizada.

"Temos grau de profissionalismo e competência que é absolutamente indiscutível. Temos de ter confiança em quem tem essa missão"., lembrando que das 88 ocorrências desta quarta-feira, apenas 11 estavam ativas neste momento.

"Temos tudo para ter confiança no dispositivo que Portugal tem para combater os incêndios", elogiando o "sucesso e trabalho extraordinário dos bombeiros".



Desde 1 de julho houve 2007 ocorrências, das quais 81 por cento foram controladas nos primeiros 90 minutos. Razões para António Costa dizer que o sistema de proteção civil tem tido uma resposta que “na esmagadora maioria das situações tem permitido controlar as situações nos primeiros noventa minutos”.
Reforma da floresta urgente
António Costa sublinhou que as áreas que estão a arder em Mação arderam em 2003. "Se nada ocorrer, daqui a dez anos teremos situações como esta", disse o primeiro-ministro, que salientou ainda que os riscos "são maiores" em anos de seca como o atual.

Para o chefe de Governo, a reforma da floresta é "urgente", uma vez que Portugal tem uma floresta "particularmente desordenada". Perante este ordenamento, António Costa admite que "não há dispositivo que possa garantir ou evitar que não voltaremos a ter situações desta natureza".

O primeiro-ministro deixou ainda uma mensagem de alerta aos cidadãos para um particular cuidado para todos os comportamentos de risco, face a condições extremamente propícias para a ocorrência de incêndios.

A informação mais vista

+ Em Foco

Declarações exclusivas de Valdemar Alves ao Sexta às 9, que se debruçou sobre a reconstrução após os incêndios de 2017.

O realizador italiano tinha 96 anos. Além do cinema, deixou marcas no teatro e na ópera mundial.

Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

    Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.