País
CP encerra ligação Valença-Vigo a partir de domingo
A Comboios de Portugal (CP) anunciou que pretende encerrar a ligação entre Valença e a cidade espanhola de Vigo, já a partir do próximo domingo. A empresa alega falta de “condições para a continuidade da exploração”. Partem diariamente do Porto dois comboios com destino àquela cidade espanhola, existindo mais duas viagens de regresso. Depois de domingo, a viagem acaba em Valença. Autarcas e empresários dizem não perceber os motivos da empresa.
“A CP informa que, por não estarem reunidas as condições para a continuidade da exploração, a partir de 10 de julho de 2011 o serviço no trajeto Valença / Vigo / Valença será suprimido", referia um aviso público transmitido nas várias estações que integram o percurso em causa.
Em declarações à Lusa, a empresa apontava que “entre os motivos na origem desta decisão está uma racionalização de custos que a CP tem que fazer, face à conjuntura financeira atual".
A “racionalização de custos e proveitos” da transportadora ferroviária nacional consiste na supressão, quatro vezes por dia, da ligação Valença /Vigo/Valença.
Os dois horários diários, com partida do Porto às 7h55 e 17h55, são para continuar até Valença, “mas através das ligações inter-regionais”, afirma fonte da empresa. Já as viagens de regresso têm início na localidade portuguesa raiana.
A CP tentou suprimir esta ligação há seis anos, alegando “quedas no volume de passageiros transportados” naquela linha. A empresa não concretizaria o corte, após protestos de passageiros e autarcas.
Autarcas e empresários condenam fim de ligação
O presidente da Câmara de Valença admite que a ligação, nem o corte, é “muito rentável, mas é sobretudo histórica, entre duas importantes regiões. Com a sua supressão, não será por aí que a CP vai inverter a situação difícil que atravessa".
Jorge Mendes aponta a incongruência de os governos anteriores "terem prometido uma ligação de TGV", entre Porto e Vigo, com paragem em Valença, e este executivo decidir suprimir a ligação ferroviária internacional.
"Criaram-se expectativas que não se concretizam, por isso, este anúncio, que não conheço oficialmente, não vem na melhor altura e será mesmo um retrocesso", acrescentou o autarca, manifestando “desilusão” e "total oposição" a este corte.
Também o autarca de Vila Nova de Gaia condena o fim anunciado da ligação entre Porto e Vigo. Luís Filipe Menezes afirma que “parece uma decisão precipitada”, porque é importante para a região norte do país. “Nem tudo o que dá prejuízo deve acabar, porque senão acabávamos com o Serviço Nacional de Saúde, que será sempre pouco rentável”, observa à Antena 1.
Sustentando que “as ligações rodoviárias não substituem as ferroviárias”, Luís Filipe Menezes sublinha o impacto funcional da medida. “A afirmação da região do Porto no contexto do noroeste Peninsular, a captação do mercado da Galiza, a funcionalidade o aeroporto Sá Carneiro e o terminal de Carneiros não pode ser perspectivada sem uma ligação ferroviária expedita e moderna entre Porto e Vigo. Talvez não o TGV (…) mas um comboio rápido e moderno a ligar Vigo ao Porto é algo que não podemos deixar cair no médio prazo”, enumera o autarca.
O presidente da Associação Industrial do Minho defende que a CP deveria ter em atenção outras questões para além das económicas. “É uma decisão que, sendo operacional terá toda a legitimidade para ser tomada pela CP. Sendo uma empresa detida pelo Estado deveria ter atenção a questões mais gerais, como a fronteira única no país e a ligação do Norte de Portugal com a Galiza”, disse à Antena1.
As “decisões, mesmo que legítimas em termos operacionais, são tomadas em cima do joelho” criticou António Marques, para depois acrescentar que a supressão da ligação ferroviária “é mais uma entre as várias machadadas que, quer operacional quer politicamente, têm sido dadas a esta ligação estreita entre o Norte de Portugal e Vigo”.
Utentes lamentam interrupção “sem justificação ou consulta prévia”
A associação de utentes da empresa pública condenou a supressão da ligação a Vigo "sem qualquer justificação ou consulta prévia". “Após uma chamada para o 'call center' da CP ficamos vagamente a saber que essa interrupção se deve a 'obras', embora não haja informação acerca do teor dessas obras nem da sua localização. Desconfiamos que são uma desculpa de ocasião", comenta Nuno Oliveira, da Comissão diretiva da Comboios XXI.
A transportadora ferroviária espanhola (Renfe) não tem indicações sobre a interrupção, e a ADIF (congénere da Refer) “nega existir qualquer impedimento à circulação", acrescenta.
O corte é "mais uma agressão à mobilidade desta vasta euroregião (habitada por seis milhões de pessoas, uma das mais populosas da península), após a recente introdução de portagens na A28", sublinha.
Nuno Oliveira nota que o anúncio da CP foi emitido "um dia depois do secretário do Eixo Atlântico Xoan Mao ter diligenciado no sentido de solicitar ao Ministro da Economia de Portugal uma reunião para debater, entre outras coisas, questões ferroviárias respeitantes ao Norte de Portugal e Galiza".
"Numa altura em que todo o eixo Vigo - Santiago - Corunha é servido por novos comboios que circulam a 160 km/hora (brevemente a 220 km/h), do lado português simplesmente ignora-se a Galiza", refere.
A associação defende a necessidade de remodelar “o serviço direto internacional Porto-Vigo, no que se refere à diminuição do tempo total de viagem, e a garantia de ligação rápida desta linha no Porto para quem segue no serviço IC ou Alfa".
Em declarações à Lusa, a empresa apontava que “entre os motivos na origem desta decisão está uma racionalização de custos que a CP tem que fazer, face à conjuntura financeira atual".
A “racionalização de custos e proveitos” da transportadora ferroviária nacional consiste na supressão, quatro vezes por dia, da ligação Valença /Vigo/Valença.
Os dois horários diários, com partida do Porto às 7h55 e 17h55, são para continuar até Valença, “mas através das ligações inter-regionais”, afirma fonte da empresa. Já as viagens de regresso têm início na localidade portuguesa raiana.
A CP tentou suprimir esta ligação há seis anos, alegando “quedas no volume de passageiros transportados” naquela linha. A empresa não concretizaria o corte, após protestos de passageiros e autarcas.
Autarcas e empresários condenam fim de ligação
O presidente da Câmara de Valença admite que a ligação, nem o corte, é “muito rentável, mas é sobretudo histórica, entre duas importantes regiões. Com a sua supressão, não será por aí que a CP vai inverter a situação difícil que atravessa".
Jorge Mendes aponta a incongruência de os governos anteriores "terem prometido uma ligação de TGV", entre Porto e Vigo, com paragem em Valença, e este executivo decidir suprimir a ligação ferroviária internacional.
"Criaram-se expectativas que não se concretizam, por isso, este anúncio, que não conheço oficialmente, não vem na melhor altura e será mesmo um retrocesso", acrescentou o autarca, manifestando “desilusão” e "total oposição" a este corte.
Também o autarca de Vila Nova de Gaia condena o fim anunciado da ligação entre Porto e Vigo. Luís Filipe Menezes afirma que “parece uma decisão precipitada”, porque é importante para a região norte do país. “Nem tudo o que dá prejuízo deve acabar, porque senão acabávamos com o Serviço Nacional de Saúde, que será sempre pouco rentável”, observa à Antena 1.
Sustentando que “as ligações rodoviárias não substituem as ferroviárias”, Luís Filipe Menezes sublinha o impacto funcional da medida. “A afirmação da região do Porto no contexto do noroeste Peninsular, a captação do mercado da Galiza, a funcionalidade o aeroporto Sá Carneiro e o terminal de Carneiros não pode ser perspectivada sem uma ligação ferroviária expedita e moderna entre Porto e Vigo. Talvez não o TGV (…) mas um comboio rápido e moderno a ligar Vigo ao Porto é algo que não podemos deixar cair no médio prazo”, enumera o autarca.
O presidente da Associação Industrial do Minho defende que a CP deveria ter em atenção outras questões para além das económicas. “É uma decisão que, sendo operacional terá toda a legitimidade para ser tomada pela CP. Sendo uma empresa detida pelo Estado deveria ter atenção a questões mais gerais, como a fronteira única no país e a ligação do Norte de Portugal com a Galiza”, disse à Antena1.
As “decisões, mesmo que legítimas em termos operacionais, são tomadas em cima do joelho” criticou António Marques, para depois acrescentar que a supressão da ligação ferroviária “é mais uma entre as várias machadadas que, quer operacional quer politicamente, têm sido dadas a esta ligação estreita entre o Norte de Portugal e Vigo”.
Utentes lamentam interrupção “sem justificação ou consulta prévia”
A associação de utentes da empresa pública condenou a supressão da ligação a Vigo "sem qualquer justificação ou consulta prévia". “Após uma chamada para o 'call center' da CP ficamos vagamente a saber que essa interrupção se deve a 'obras', embora não haja informação acerca do teor dessas obras nem da sua localização. Desconfiamos que são uma desculpa de ocasião", comenta Nuno Oliveira, da Comissão diretiva da Comboios XXI.
A transportadora ferroviária espanhola (Renfe) não tem indicações sobre a interrupção, e a ADIF (congénere da Refer) “nega existir qualquer impedimento à circulação", acrescenta.
O corte é "mais uma agressão à mobilidade desta vasta euroregião (habitada por seis milhões de pessoas, uma das mais populosas da península), após a recente introdução de portagens na A28", sublinha.
Nuno Oliveira nota que o anúncio da CP foi emitido "um dia depois do secretário do Eixo Atlântico Xoan Mao ter diligenciado no sentido de solicitar ao Ministro da Economia de Portugal uma reunião para debater, entre outras coisas, questões ferroviárias respeitantes ao Norte de Portugal e Galiza".
"Numa altura em que todo o eixo Vigo - Santiago - Corunha é servido por novos comboios que circulam a 160 km/hora (brevemente a 220 km/h), do lado português simplesmente ignora-se a Galiza", refere.
A associação defende a necessidade de remodelar “o serviço direto internacional Porto-Vigo, no que se refere à diminuição do tempo total de viagem, e a garantia de ligação rápida desta linha no Porto para quem segue no serviço IC ou Alfa".