CP escusa-se a fazer comentários até às conclusões das oritentações do ministério

Lisboa, 28 Out (Lusa) - A CP escusou-se hoje comentar o relatório final do inquérito ao acidente na Linha do Tua, que aponta "defeitos grosseiros" na via férrea e anomalias na automotora.

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"Até à conclusão das orientações [do Ministério], a CP não vai fazer comentários", disse à Lusa o porta-voz da CP, responsável pelo material circulante.

Fonte da REFER - Rede Ferroviária Nacional - disse hoje à Lusa que a empresa "vai pôr em prática as recomendações do relatório", escusando-se a fazer mais comentários.

Uma fonte do sector ferroviário referiu entretanto à Lusa que o material circulante está homologado desde 1995, tendo essa homologação sido renovada em 2001 pelo Instituto Nacional do Trânsito Ferroviário.

A mesma fonte adiantou à Lusa que a homologação cumpre as normas europeias de segurança em matéria de descarrilamento.

O relatório final do inquérito ao último acidente na Linha do Tua, disponível desde segunda-feira à noite na página do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC), aponta "defeitos grosseiros" na via férrea e anomalias na automotora que, conjugados, terão originado o acidente ocorrido a 22 de Agosto que causou um morto, quatro feridos graves e 39 feridos ligeiros.

Diferentes pareceres recolhidos pela Comissão de Inquérito (CI) apontam no mesmo sentido, em que ressaltam problemas ao longo da Linha, especialmente no local do acidente, e as "deficiências que dificultam o contacto entre a roda e o carril".

"A via no local do acidente apresenta defeitos grosseiros e facilmente identificáveis e suficientes para justificar a ocorrência do descarrilamento", lê-se nas conclusões.

Um curva com medidas desadequadas, defeitos de alinhamento, de empeno, travessas que "necessitam de substituição imediata" são alguma das falhas apontadas.

Do relatório concluiu-se que há 18 anos que não são substituídas e algumas têm já 40 anos, já que, segundo o documento, "a sua idade varia entre 1968 e 1990".

Os pareceres apontam também falhas às automotoras do Metropolitano de Superfície de Mirandela, que fazem o percurso ao serviço da CP, há uma década, referindo-se "às desadequadas características do material circulante".

Dos estudos técnicos feitos à automotora acidentada, conhecida como LRV, ressaltam problemas nas rodas, falta de lubrificação e pouco amortecimento.

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), uma das entidades que estudou o caso, deixa claro que todos estes factores conjugados são motivo para a ocorrência de um acidente desta natureza.

O relatório final surge três dias depois de o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, ter anunciado medidas correctivas e de segurança, sem adiantar pormenores da investigação, garantindo que a linha não vai fechar.

SB/HFI

Lusa/Fim


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