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CP perdeu 469 mil passageiros na Linha de Cascais de 2024 para 2025
Mantendo-se acima dos 37 milhões de passageiros, houve uma menor procura neste serviço urbano entre Lisboa e Cascais. A Infraestruturas de Portugal antecipa que será possível colocar mais comboios na linha quando terminarem as obras de modernização, após 2028. Mas avisa que a decisão final é da CP, que quer colocar os primeiros comboios novos logo que os receba.
No ano passado, a Linha de Cascais transportou menos 469 mil passageiros em relação a 2024. São dados da CP - Comboios de Portugal enviados à RTP Antena 1 numa linha que está com obras de modernização desde o final de 2022 e que espera novos comboios a partir de 2029.
Enquanto em 2024 houve mais de 37,5 milhões de passageiros, o número baixou para cerca de 37,1 milhões em 2025.
"No total, foram transportados na Linha de Cascais 37 588 mil passageiros, em 2024, e 37 119 mil passageiros, em 2025", especifica a CP à rádio pública.
A transportadora explica que a procura neste serviço sofre "variações ao longo dos meses, que estarão ligadas ao efeito da sazonalidade". O mês de julho é o mais procurado no total dos passageiros/validações, afirma. A CP aponta também que os meses de maior procura com bilhetes ocasionais são julho e agosto, correspondendo a 22% dos passageiros, em 2024, e a 24%, em 2025.
IP antevê "maior capacidade operacional" na Linha de Cascais, CP espera 30 comboios novos
As obras da Linha de Cascais arrastam-se desde dezembro de 2022, longe de outros prazos que já foram assinados: já houve a expectativa de tê-las prontas em 2023 e também em 2024. A "elevada complexidade técnica da modernização", principal razão apontada pela IP - Infraestruturas de Portugal levou ao prolongamento dos trabalhos, que se mantêm estimados para depois de 2028.
"Prevê-se que as principais obras atualmente em curso, nas áreas de via e catenária, sinalização e energia, estejam concluídas no quarto trimestre de 2027", ou seja, entre outubro e dezembro do próximo ano, estima a IP à RTP Antena 1. Mas "a concretização global do Empreendimento será progressiva", acrescenta.
Um dos pontos centrais desta obra é a mudança do sistema de eletrificação: o serviço urbano que liga Cais do Sodré, em Lisboa, e Cascais tem uma tensão diferente do resto do país. A nova subestação de Sete Rios será peça chave para mudar a alimentação da catenária (os cabos por cima dos comboios).
Melhoradas no futuro as condições de exploração, a IP afirma que a CP - Comboios de Portugal conseguirá operar mais automotoras. "Embora se antecipe uma maior capacidade operacional, a eventual introdução de mais circulações ficará condicionada pela oferta comercial e características do material circulante a utilizar pelo operador", afirma a IP à rádio.
Obras em 128 milhões de euros, Cascais recebe primeiros comboios urbanos
A CP tem atualmente uma frota de 31 comboios na Linha de Cascais, estando 26 em rotação no serviço diário da transportadora. Já depois de concluídas as obras de modernização, a CP mantém a expectativa de receber os primeiros novos comboios em 2029.
"Está previsto que, das unidades de tipologia urbana recebidas, 30 sejam colocadas ao serviço na Linha de Cascais, das quais 25 serão bitensão", explica a CP à RTP Antena 1, sendo que essas 25 serão as primeiras do pacote de 117 automotoras que o Governo comprou - 62 para serviço urbano e 55 para serviço regional (mais 36 automotoras que acionadas mais tarde).
"Isto permite uma alocação imediata à Linha da Cascais das unidades rececionadas, substituindo, progressivamente, as automotoras atuais", aponta.
Segundo a CP, a 19 de junho, por exemplo, serão realizados 178 comboios na Linha de Cascais.
Apesar dos atrasos nas obras da Linha de Cascais, a IP garante que o financiamento das obras continua a ser adequado, sem que tenham existido trabalhos por executar.
"Considera-se que o projeto dispõe do financiamento necessário à sua concretização e que as intervenções previstas continuam adequadas aos objetivos de modernização, fiabilidade e interoperabilidade definidos para a Linha de Cascais", afirmando que o investimento global é de cerca de 128 milhões de euros.
O projeto conta com financiamento do POSEUR, de 22 milhões de euros de apoio, e do Sustentável 2030, com 61,2 milhões de euros de apoio.
A gestora ferroviária sublinha que "mantém-se o compromisso de executar integralmente todas as intervenções previstas, sem qualquer redução do âmbito inicialmente definido".
"A modernização da Linha de Cascais integra um conjunto de intervenções de natureza multidisciplinar, abrangendo a via, a eletrificação, a sinalização, os sistemas de energia, incluindo a nova Subestação de Tração de Sete Rios, bem como a requalificação de estações e interfaces", recorda.