CREL vai continuar cortada nas próximas semanas

O corte do trânsito, entre o nó de ligação à A16 e o nó de Belas, na Cintura Regional Exterior de Lisboa (CREL) poderá manter-se nas próximas semanas, anunciou a Brisa, concessionária desta auto-estrada que apela aos condutores para terem em atenção os percursos alternativos. O trânsito na CREL está cortado desde a passada sexta-feira na sequência de um deslizamento de terras.

RTP /
Os trabalhos para remoção das terras prosseguem José Sena Goulão/Lusa

"Os trabalhos de retirada de terras do local, com o objectivo de controlar o avanço das mesmas prossegue, havendo neste momento uma preocupação acrescida com o Aqueduto das Águas Livres", lê-se no comunicado divulgado ontem pela Brisa.

Segundo o comunicado "a empresa continua, ao mesmo tempo a avaliar, dentro do que é possível absorver e medir, a evolução deste deslizamento, estando ainda longe de poder estimar quando irão começar os trabalhos de desobstrução da auto-estrada".

A Brisa recorda que "está a aplicar todos os esforços, desde a primeira hora, na resolução de um problema cuja causa não é da sua responsabilidade e cuja resolução não depende principalmente da empresa".

Sessenta camiões e cinco escavadoras encontram-se no local para retirar as cerca de cinco mil toneladas de terra que deslizaram para a via.

Na CREL, entre o nó de Belas e a ligação à A16, circulam em média cerca de 40 mil condutores.

Percursos alternativos na Internet

No seu site na Internet a Brisa divulgou os percursos alternativos aos condutores e pede a compreensão para este incidente. À disposição dos automobilistas está também o Número Azul da Brisa (808 508 508) para prestar informações e os esclarecimentos necessários.

Os percursos alternativos são os seguintes:

- Para quem vem do Norte ou do Oeste por auto-estradas como a A1 ou a A8, e particularmente para o trânsito de pesados, a Brisa sugere a opção pela 2ª Circular/CRIL. No caso da opção ser a CREL, os automobilistas deverão optar por sair no Nó de Odivelas, utilizando o IC 17 e o Eixo Norte/Sul.

- Para o tráfego proveniente da linha de Sintra, com destino à zona norte de Lisboa, a Brisa sugere a opção pelo IC19 em direcção a Lisboa

- Para o tráfego proveniente da linha de Cascais a Brisa sugere a A5, até ao centro de Lisboa ou, em alternativa, realizar o percurso A5/CRIL/2ª Circular

- Para os automobilistas originários de Norte que, ainda assim, optem pela CREL, a Brisa sugere a saída no Nó de Belas seguindo a sinalética provisória de desvio com as indicações A9/A16, atravessando as localidades de Belas e Idanha. O trânsito proveniente do IC16 poderá também optar por sair para a Amadora (junto ao Centro Comercial Dolce Vita Tejo) em direcção ao IC19

- Para o trânsito proveniente de Sul, por exemplo, pela Ponte Vasco da Gama, a Brisa sugere a 2ª circular e o Eixo Norte/Sul.

No seu site a Brisa recorda que "os trajectos alternativos estão sinalizados nos painéis de mensagem variável, de todas as vias interligadas com a CREL (auto-estradas A1, A2, A5, A8, A9-Crel, A10, A12, A16 e IC19 e Ponte Vasco da Gama). Em acréscimo, foi colocada sinalização especial de desvio - de cor amarela - com indicação dos destinos possíveis, nas mesmas vias".

Proprietário do terreno já tinha sido notificado

O proprietário do terreno, que em tempos funcionou como aterro e onde na passada sexta-feira ocorreu o deslizamento de terras que obrigou ao corte do trânsito na CREL, já tinha sido notificado diversas vezes pela Câmara Municipal da Amadora.

"Já tinha havido um conjunto de indícios e nós fizemos além daquilo que nos compete. A Brisa e os proprietários são responsáveis por aquilo e contactámo-los. Fizemos notificações no sentido de chamar a atenção de que a zona não estava estável", afirmou à Lusa o vereador da Câmara Municipal da Amadora com o pelouro da Protecção Civil.

Segundo Eduardo Rosa, "a autarquia estava preocupada com a situação daqueles terrenos há muito tempo, embora nunca esperasse que acontecesse um incidente com esta amplitude".

"O terreno privado que provocou o deslizamento de terras que resultaram no corte da CREL revela bastantes fragilidades apresentando um conjunto de falhas geológicas", acrescentou.

Eduardo Rosa considera que "aliado às fragilidades do terreno, a precipitação intensa verificada nos últimos meses intensificou a e instabilidade da vertente e a movimentação dos solos".

A Câmara Municipal da Amadora sublinha que "compete à entidade exploradora das auto-estradas o dever de conservação das mesmas".

No entanto, Eduardo Rosa acrescenta que a autarquia "vai disponibilizar os meios para minimizar os efeitos decorrentes da anomalia registada e reunirá com as entidades responsáveis para, no âmbito da Protecção Civil, desencadear os instrumentos necessários para colmatar o problema".

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