Cresce o número de agentes atendidos pelo gabinete de psicologia da PSP

O gabinete de psicologia da PSP atendeu uma média de 30 agentes por dia em 2015. Desde 2008 que a estrutura está a reavaliar as personalidades dos cerca de 22 mil polícias como forma de prevenir o suicídio. Cerca de 13 por cento (2.809) já foram reavaliados a nível psicológico. Os números foram avançados à Lusa pelo responsável do gabinete.

Cristina Sambado - RTP /
Terminam esta sexta-feira o curso de formação da PSP 229 novos agentes que serão colocados provisoriamente, durante o primeiro ano de serviço, nos diversos comandos do país Pedro A. Pina - RTP

“Gostaria muito de dizer que todos os anos faço a reavaliação de 22 mil elementos policiais, seria ótimo, seria a situação desejável, mas obviamente somos confrontados com os meios que temos, e portanto temos que fazer isto à máxima velocidade, mas à velocidade que podemos”, afirmou Fernando Passos à Lusa.

O trabalho está a ser feito nos comandos metropolitanos da PSP de Lisboa e Porto, no comando regional dos Açores e nos comandos distritais de Setúbal, Évora e Portalegre. O responsável acrescentou que está a ser ponderada a reavaliação psicológica nos comandos de Faro e da Madeira.

“A reavaliação do efetivo é feita de acordo com a disponibilidade e possibilidade em termos de recursos humanos”.Segundo Fernando Passos, “a reavaliação psicológica, prevista no plano de prevenção de suicídio das forças de segurança, tem como objetivo detetar vulnerabilidade em termos de saúde mental. Na maioria dos casos os polícias são encaminhados para apoio psicológico ou para os serviços de saúde”.

Desde 2008 que a PSP realiza também cursos de prevenção de suicídio, tendo já frequentado esta formação 6.234 elementos policiais.

“Estes cursos têm como objetivo reduzir o estigma para que os polícias percebam que não é vergonha, nem sinal de fraqueza, consultar ajuda especializada quando há um sinal de vulnerabilidade”, frisou o responsável pelo departamento de psicologia da PSP.
Média de 30 atendimentos por dia
Em 2015 o gabinete de psicologia da PSP atendeu, em média, quase 30 polícias por dia, totalizando 10.612 consultas. Um número que tem vindo a crescer gradualmente nos últimos anos.

“O número de consultas tem crescido gradualmente todos os anos, registando um aumento de 30,7 por cento nos últimos cinco anos ao passarem das 8.116, em 2011, para as 10.612 em 2015”, referiu Fernando Passos.

O responsável pelo gabinete de psicologia aponta “a redução do estigma por parte dos polícias e um maior conhecimento do gabinete de psicologia dentro da instituição como justificação para o aumento de consultas, que são maioritariamente feitas por procura voluntária”. “São vários os motivos para os polícias procurarem uma consulta de psicologia, nomeadamente quando estão a passar por alguma vulnerabilidade”.

“Os polícias procuram quando sentem que efetivamente não produzem ou não estão nos seus melhores dias, existe alguma vulnerabilidade”, acrescentou, sublinhando que “recorrem a esta especialidade todos os elementos policiais, desde agentes, chefes e oficiais”.

As consultas de psicologia são mais procuradas pelos elementos do Comando Metropolitano de Lisboa, onde está um terço do efetivo da PSP.

No entanto, a PSP presta apoio regular aos polícias com psicólogos em 16 dos 20 comandos do país, não existindo este serviço em Viana do Castelo, Vila Real, Portalegre e Viseu.

“Nos comandos onde não existem estas consultas especializadas, os polícias são encaminhados para o local fisicamente mais próximo, mas existem distritos com mais de um local de atendimento, designadamente em Leiria, Castelo Branco, Setúbal, Faro e Lisboa”, realçou Fernando Passos.
24 suicídios em cinco anos
Apesar de nos últimos cinco anos se terem suicidado 24 polícias, oito dos quais em 2015, a PSP tem além dos serviços de psicologia descentralizados, uma linha verde de emergência que funciona 24 horas por dia. Para o responsável pelo gabinete de psicologia da PSP, “a polícia está exposta a fatores que a população em geral não está”.

“O elemento policial suicida-se pelas mesmas razões que se suicida um cidadão comum, mas eventualmente há mais exigências próprias da sua função. Mas nunca conseguimos estabelecer um nexo de casualidade”, sublinhou.

Fernando Passos referiu que a autópsia psicológica – que consiste em reconstituir a vida de uma pessoa nos seus últimos meses de vida, para tentar perceber os passos que deu - feita aos polícias “não é uma ferramenta 100 por cento exata, ajudando a compreender o fenómeno, mas não na sua totalidade”.

“O fenómeno do suicídio é difícil de explicar. Em 2012 e 2004 tivemos zero suicídios na PSP”, rematou.
Esquadras encerradas nos últimos dois anos
Ao longo dos últimos dois anos, a Polícia de Segurança Pública encerrou 17 esquadras, dez em Lisboa e sete no Porto, no âmbito de um processo de racionalização que ainda está a decorrer.

No Comando Metropolitano de Lisboa foram encerradas as esquadras em locais como a rua Gomes Freire, Rossio, Boavista, Belavista, Santa Marta, Mouraria, Alto do Lumiar, Santa Apolónia, Chelas (Zona J) e Quinta da Cabrinha (Alcântara).

A proposta de reorganização, elaborada pelo Governo de Pedro Passos Coelho e aprovada em reunião de Câmara de Lisboa, em maio de 2014, previa o encerramento de 14 esquadras: Rossio, Mouraria, Santa Marta, Rato, Arroios, Zona I (Chelas), Chelas (Zona J), Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz, Carnide, Calvário, Quinta da Cabrinha, Campolide e Serafina.

Destas, nove mantêm-se atualmente em funcionamento: Rato, Arroios, Calvário, Zona J (Chelas), Campolide, Serafina, Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz e Carnide.
Sete no Porto
No Comando Metropolitano do Porto encerraram as esquadras da praça Coronel Pacheco, rua da Boavista, Carvalhido, São João de Deus, Leça da Palmeira, Areosa e Lagarteiro, esta última transformada em posto de atendimento permanente.

Os postos de informação da PSP em Guifões, Leça do Bailio e Vilar de Andorinho também se encontram fechados ao público.

A proposta de reorganização do Comando Metropolitano do Porto previa o encerramento das sete esquadras de atendimento e destes três postos de informação da polícia, assim como a transferência da sede da Divisão de Investigação Criminal do Porto, o que ainda não se verificou.

“O encerramento das esquadras e dos postos de atendimento, em Lisboa e no Porto, foi gradual, num período que se estendeu pelos últimos dois anos”, afirmou a direção nacional da PSP, numa resposta escrita enviada à Lusa.

“Considerando que ambos os processos de racionalização não estão fechados, e porque existe um diálogo próximo com o Ministério sobre estas matérias, nesta fase, não nos é possível tecer quaisquer comentários ou antecipar perspetivas sobre a evolução deste dossiê”, acrescenta a nota.
299 novos agentes
Terminam esta sexta-feira o curso de formação da PSP 229 novos agentes que serão colocados provisoriamente, durante o primeiro ano de serviço, nos diversos comandos do país, nomeadamente no interior onde existe um défice de efetivos.

“Dos mais de dez mil candidatos a agentes da PSP ficaram aprovados 1.930 e concluíram o curso 299 alunos, 37 dos quais são mulheres”, refere um comunicado da PSP. Os novos agentes apresentam-se ao serviço na próxima segunda-feira.

O curso, com uma carga horária de 1.180 horas (480 das quais práticas) teve início em maio de 2015 e, entre janeiro e fevereiro, os alunos realizaram um mês de estágio nos diversos comandos da PSP espalhados pelo país.

Segundo a Polícia de Segurança Pública, “os 299 agentes vão reforçar o dispositivo policial e contribuir para a segurança dos portugueses”.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, vai estar presente na cerimónia de encerramento do 11.º curso de formação de agentes da PSP que vai decorrer na Escola Prática de Polícia, em Torres Vedras.

c/ Lusa
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