Criado movimento suprapartidário contra fecho do serviço de passageiros
Leiria, 15 nov (Lusa) - Um movimento suprapartidário que promete lutar contra o fecho do serviço de passageiros na linha ferroviária do Oeste nasceu em Leiria, juntando partidos, autarcas, deputados, associações empresariais, o Turismo Leiria-Fátima e uma associação cívica.
Esta noite ficou definida como ação prioritária deste movimento, que reúne mais de uma vintena de instituições entre Oeste e Coimbra, solicitar uma audiência ao ministro da Economia para apresentar um estudo sobre a viabilidade da ferrovia, que prevê a redução até 30 por cento dos custos de exploração da ferrovia.
O autor do estudo, Nelson Rodrigues de Oliveira, sublinha que para já "os números mostram que, ao contrário do que se diz, aumentou o número de utentes de Caldas da Rainha para Norte", precisamente o troço em que se prevê abandonar o serviço de passageiros até ao final do ano.
Na fundação do movimento destaque para a presença de presidentes e/ou vereadores da Câmara de Leiria, Coimbra, Nazaré, Alcobaça, Caldas da Rainha, Peniche, Marinha Grande, Pombal e Óbidos, representantes do Turismo de Leiria-Fátima, das comunidades intermunicipais do Pinhal Interior Norte e Pinhal Litoral, das associações para o Desenvolvimento de Leiria, Industrial da Região Oeste, da Hotelaria do Centro e NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria, para além de todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Bloco de Esquerda.
O movimento pró-Linha do Oeste surge como resposta à intenção de suspender até 2012 o serviço de transporte de passageiros na zona Norte da Linha do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz, que consta do Plano Estratégico dos Transportes.
Na passada semana, o presidente da NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria, José Ribeiro Vieira, apelara à indignação popular como forma de travar a desativação da linha de passageiros na Linha do Oeste.
"Não bastam as autarquias e os partidos", sublinhou o empresário, explicando que "é preciso que o Governo e as demais entidades sintam que as pessoas não vão aceitar de ânimo leve esta medida".
No início do mês, a comissão política distrital de Leiria do PSD propusera ao Governo que a exploração da Linha do Oeste fosse concessionada a privados ou participada por associações empresariais e municípios servidos pela ferrovia.
O presidente da distrital, Fernando Costa, disse à Agência Lusa que esta foi uma das propostas apresentadas durante uma reunião com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, que incluía também cortes na circulação de comboios e a reformulação de horários.
"Apresentámos ainda o desejo do PSD em criar uma plataforma que reúna outros partidos, municípios, entidades ligadas ao turismo e associações empresariais dos três distritos atravessados pela ferrovia - Lisboa, Leiria e Coimbra - que possa contribuir para encontrar soluções para uma exploração mais barata e sustentável", precisou o social-democrata, que é também presidente da Câmara de Caldas da Rainha.