Criança submetida com êxito a cirurgia inovadora em Coimbra
O primeiro de quatro doentes com epilepsia a operar em Coimbra pelo neurocirurgião francês Olivier Delalande foi hoje submetido, com êxito, a uma intervenção que recorre à técnica inovadora criada por este médico.
Segundo o neurocirurgião José Augusto Costa, um rapaz de 10 anos foi operado, hoje de manhã, no Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC), estando a reagir bem à intervenção.
"Encontra-se internado nos Cuidados Intensivos, para vigilância, mas está a reagir bem", disse o pediatra à agência Lusa, adiantando que a intervenção cirúrgica durou cerca de quatro horas.
O jovem padece de uma encefalopatia crónica com "uma epilepsia complicada" e foi o primeiro de quatro doentes a operar, ao longo desta semana em Coimbra, pelo neurocirurgião francês Olivier Lalande.
A epilepsia situa-se num dos hemisférios cerebrais e é transmitida através das conexões nervosas.
A técnica concebida por este médico do Hospital Rothchild (Paris) consiste na desconexão dos hemisférios cerebrais (hemisferotomia) e tem sucesso em cerca de 70 por cento dos casos, sendo indicada apenas para as epilepsias mais graves, que não respondem perante a medicação.
Quarta-feira de manhã é operado um segundo doente no HPC, um rapaz com 14 anos, seguindo-se, à tarde e no dia seguinte, intervenções neurocirúrgicas em dois pacientes dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
Olivier Delalande deslocou-se a Coimbra a convite do HPC e dos HUC, hospitais com grupos de cirurgia da epilepsia, para aplicar nestes quatro doentes a técnica por ele concebida no final da década de noventa.
A neuropediatra Conceição robalo, a psicóloga Paula Temudo e a anestesista Alexandra Borges são os restantes elementos da equipa de cirurgia da epilepsia do Hospital Pediátrico.
Entretanto, um colóquio sobre "A Epilepsia ao longo dos Tempos" realiza-se sexta-feira à noite na Casa Municipal da Cultura de Coimbra.
Organizado pela Liga Portuguesa contra a Epilepsia, pretende evidenciar a forma como esta doença tem sido encarada ao longo da história - disse o secretário-geral da organização à agência Lusa.
Segundo Francisco Sales, neurologista nos HUC, intervêm no evento o padre Carlos Carneiro, o médico Morgado Pereira e a enfermeira Lurdes Hidalgo, abordando as visões da epilepsia na religião, na literatura e na pintura e outras artes, respectivamente.