Crianças com necessidades especiais têm férias desportivas no lar Cruz Vermelha

Uma colónia de férias para crianças com necessidades especiais arranca segunda-feira no Lar Militar da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, numa iniciativa que visa colmatar a falta de actividades recreativas para jovens com dificuldades.

Agência LUSA /

A natação, a dança e os trabalhos manuais são algumas das actividades previstas para este campo de férias, que se destina a crianças com dificuldades motoras e cognitivas.

Esta colónia de férias, que se realiza pela segunda vez este Verão, tem a duração de dez dias e ocupa as crianças durante o dia, já que à noite os participantes regressam a casa.

A iniciativa chegou a Portugal através da coordenadora da piscina do Lar Militar da Cruz Vermelha Portuguesa, Rita Costa, que durante cinco anos viveu nos EUA, onde colaborou em diversas colónias de férias.

"Trabalhei em vários campos de férias com crianças com necessidades educativas especiais, onde as actividades eram criadas a pensar nas características de cada um" afirmou Rita Costa.

Ao regressar, a jovem monitora pensou poder "fazer a diferença em Portugal", onde a oferta de actividades para portadores de deficiência não é muito diversificada, explicou.

Esta opinião é partilhada pela mãe de um dos participantes, Maria Júlia Cardoso, que considera "uma coisa rara" este tipo de actividades em Portugal.

"Há muito pouca oferta e os apoios são bastante diminutos" declarou.

Segundo Maria Júlia Cardoso, há uma grande carência de actividades que desenvolvam a mente e o corpo das crianças com necessidades educativas especiais.

"As instituições não têm os recursos para formar e pagar os técnicos" que prestam um acompanhamento adequado.

Os monitores da primeira colónia de férias, que se realizou entre 01 e 12 de Agosto, são estudantes de Reabilitação Psicomotora da Faculdade de Motricidade Humana e colaboram neste projecto em regime de voluntariado.

Ana Patrícia Malcato, uma das monitoras, encara este programa como uma oportunidade de saber se a sua "vocação estava certa".

Segundo esta estudante de 20 anos, a participação nesta colónia de férias "foi uma experiência muito rica" que lhe permitiu "aprender a comunicar com as crianças sem ser por palavras" observando a linguagem corporal.

O único monitor do sexo masculino, Guilherme Tolda, considerou que esta experiência o ajudou a mudar a sua perspectiva acerca deste trabalho.

"Antes das colónias de férias pensava que estas crianças eram frágeis e precisavam de muitos cuidados, mas são crianças com os mesmos pensamentos e brincadeiras que outras da mesma idade" declarou Guilherme Tolda.

Segundo este monitor a responsabilidade é um dos principais requisitos mas também é importante ser capaz de "mostrar afectos e atenção e dar um pouco de si às crianças".

A responsável pela organização da colónia de férias, Mariana Loureiro pensa repetir a experiência no próximo ano provavelmente noutros locais.

"O nosso principal objectivo é usar outros espaços e fazer desporto aventura, como a escalada e o rappel" disse Mariana Loureiro.

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