Crianças infectadas com "bactéria rara" internadas no S. João melhoraram - hospital
As cinco crianças infectadas com a bactéria "klebsiella ornithinolytica", internadas no Hospital de S. Joäo (HSJ), no Porto, continuam a evoluir favoravelmente, mantendo-se apenas duas com alimentação parentérica, revelou hoje o HSJ.
Em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o hospital sublinha que as duas crianças "já apresentavam uma situação clínica, de base, de elevada complexidade, antes da infecção bacteriana".
Três das crianças encontram-se no Serviço de Neonatologia, uma na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos e outra na Pediatria.
Aquela bactéria foi identificada como sendo a responsável pela infecção que afectou um grupo inicial de oito crianças, uma das quais - um menino de oito meses - faleceu, enquanto duas já tiveram alta clínica.
A presença daquela bactéria, considerada muito rara, foi detectada há cerca de dez dias no controlo de esterilização das bolsas de alimentação por via parentérica, que são produzidas no HSJ desde 1987.
Esta foi a primeira a vez que o HSJ teve um incidente deste tipo, o que provocou a suspensão da produção das bolsas de alimentação parentérica e o recurso ao Hospital Maria Pia, no Porto, e ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, para fornecimento daquelas bolsas.
"A auditoria realizada ao processo de preparação da alimentação parentérica não permitiu revelar, até ao momento, qualquer foco de origem da bactéria", afirma o comunicado.
O texto adianta que o rastreio microbiológico aos técnicos dos Serviços Farmacêuticos do HSJ "foi negativo" e que "continua a decorrer a auditoria ás instalações e equipamentos, às metodologias de trabalho e aos materiais utilizados na preparação das bolsas".
Em comunicado difundido quarta-feira, o hospital mantém que "não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a infecção por esta bactéria" e a morte de um menino de 20 meses, ocorrida no último dia 12.
"Nomeadamente por terem sido identificados outros agentes infecciosos, também relacionáveis com o quadro clínico" anterior, sustenta.
A adjunta da direcção clínica do HSJ explicou terça-feira que "as crianças afectadas, já tinham, à partida, uma possibilidade de sobrevivência muito baixa", decorrente do quadro clínico grave que as atingia, anterior à infecção, e que levou a que fossem hospitalizadas.