Crianças que escondem doença podem ser futuras transmissoras do vírus - Associação SOL

Lisboa, 13 Mar (Lusa) - Esconder que as crianças têm VIH pode transformá-las em futuros transmissores do vírus. Habituados a omitir a doença, o segredo torna-se difícil de revelar quando começa a vida sexual, alerta a presidente da Associação Sol.

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Ao contrário do que advogam pediatras e a maioria das instituições, que aconselham os pais a esconder das escolas que os filhos estão infectados, a responsável da associação defende que a doença deve ser do conhecimento de todos.

Enquanto a maioria dos especialistas justifica a opção pelo segredo com o medo de as crianças serem discriminadas, Teresa D´Almeida entende que "tudo o que se esconde dá mau resultado".

A responsável da associação, que há dez anos acolhe crianças infectadas, garante que nunca assistiu a qualquer acto discriminatório em relação aos seus meninos, que frequentam a escola, participam em actividades desportivas e "são sempre convidados para os aniversários".

"Na escola toda a gente sabe e eles são sempre muito acarinhados, nunca foram alvo de discriminação. O silêncio vai transformar-se em algo demasiado grave no futuro próximo", afirma.

Sem nunca terem sido estigmatizados, os meninos da Casa Sol estão preparados para enfrentar um namoro sem transmitir o vírus. Já as crianças que atravessam uma infância em que a doença é escondida podem ter sérios problemas quando iniciarem uma relação amorosa.

"Se a criança passar a sua infância sempre a esconder a doença, depois vai encarar isto como uma mentira e será muito mais difícil dizer ao parceiro, podendo optar por omitir e transmitir o vírus. Transformam-se em potenciais transmissores, porque não terão coragem de dizer ao parceiro", alerta.

Por isso, Teresa D´Almeida é contra a política da omissão e adverte para o futuro, temendo o pior: "Espero que daqui a uns anos não se estejam a lembrar destas palavras. Mas penso que daqui a uns dez anos as pessoas se vão aperceber do problema".

Até Dezembro do ano passado estavam notificadas em Portugal 267 crianças até aos nove anos com SIDA ou VIH, de acordo com dados do Instituto Ricardo Jorge. Por decisão dos pais e aconselhamento dos pediatras e associações, na maioria das escolas ninguém sabe que os alunos estão infectados.

A Liga Portuguesa Contra a Sida, a Abraço e a Positivo são algumas das instituições que aconselham a omitir a situação para proteger a criança.

Também a Secção de Infecciologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria concorda com a manutenção do segredo no seio da família, para evitar o risco de a escola não respeitar a confidencialidade, provocando situações discriminatórias.

SIM

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