Crianças são quem mais adere ao Dia Sem Carros na Guarda
As crianças de infantários, dos primeiro e segundo ciclos e alguns jovens foram hoje os principais aderentes ao Dia Europeu Sem Carros na Guarda, marcado pela interdição ao trânsito automóvel das ruas centrais da cidade e centro histórico.
Insufláveis, tabelas de basquetebol, parede de escalada e disponibilizados bicicletas e outros veículos movidos a pedais foram as atracções que ocuparam, durante horas, os mais pequenos.
No jardim central da Guarda foi instalado um espaço designado por "aromas da Maúnça", uma quinta de educação ambiental propriedade do Município com várias espécies vegetais para fins educativos.
Ao contrário dos mais novos, poucos foram os adultos que aderiram à iniciativa, vendo-se as ruas fechadas ao trânsito maioritariamente preenchidas por crianças.
Um agente aposentado da PSP, António Monteiro, improvisou uma charrete que fez o percurso das ruas destinadas ao "Dia Sem Carros".
A realização do Dia Sem Carros não recolhe, na Guarda, unanimidade por parte dos comerciantes da área afecta a esta realização.
Celeste Almeida, proprietária de uma cervejaria próxima dos Paços do Concelho, disse à agência Lusa concordar com esta iniciativa considerando-a "benéfica para o comércio", sugerindo mesmo que aos fins-de-semana o centro da cidade fosse fechado ao tráfego automóvel e a via pública ocupada com actividades que cativem as pessoas a caminhar a pé, "criando-se necessariamente alternativas para o estacionamento".
Opinião contrária tem José Neves, dono de uma casa de tecidos na rua central da Guarda, que afirmou haver "muito prejuízo para os comerciantes neste dia, dado que o trânsito e o estacionamento automóvel é impossível e daí a dificuldade em os cidadãos se deslocarem aos comércios".
Segundo observou, as características da Guarda como cidade de montanha, de malha urbana de origem medieval, "não permitem a realização deste tipo de iniciativas sem que existam alternativas para levar os cidadãos ao comércio do centro da cidade".
Na Praça Velha, fronteira à Catedral, o movimento era reduzido.
O proprietário de um café ali existente, Ismael Carlos, considera que "sem estacionamento ou alternativa próxima para parqueamento dos carros, este tipo de iniciativa não se justifica, porque prejudica o já débil comércio tradicional do Centro Histórico".
"O Dia Sem Carros será mais aplicável em países como a Holanda, Finlândia ou Suécia, onde os padrões de vida são mais elevados", afirmou.