Criminalidade global diminuiu, crime contra autoridade aumentou
A criminalidade diminuiu 6,2 por cento em Portugal no ano passado mas os crimes contra a autoridade registaram um aumento de 22 por cento, indicam dados do Ministério da Administração Interna citados hoje no Diário de Notícias.
Segundo o DN, a GNR contabilizou mais de 194 mil crimes e a PSP cerca de 190 mil, o que dá mais de 380 mil actos num ano e mais de mil por dia em todo o país.
A criminalidade violenta também desceu, sete por cento nas áreas da GNR (fora das localidades) e de dois por cento nas da PSP (áreas urbanas).
Ao todo, escreve o jornal, foram registados 21.223 crimes, 17 mil pela PSP e 4.223 pela GNR.
Apesar da melhoria nos números, a polícia não hesita em afirmar que o crime tem novas características mais violentas: os criminosos usam mais vezes armas de fogo e mais vezes os crimes resultam em sequelas nas vítimas.
Por outro lado são cada vez mais os jovens que praticam crimes violentos.
De acordo com o DN, os assaltos à mão armadas são o tipo de crime violento que maior alteração tem registado, tendo a GNR identificado um aumento de 6,6 por cento na sua área.
O tenente-coronel Albano Pereira, da Chefia de Investigação Criminal da GNR, citado pelo DN disse que "o crime está a mudar e os assaltos à mão armada denotam isso".
"O acesso às armas é mais fácil e, por vezes, o uso é um mero exercício de força de poder. Além disso a globalização também facilita a importação de fenómenos criminais", referiu o responsável.
Na Polícia Judiciária dispararam as detenções por este tipo de crime, sendo que na directoria de Lisboa passou das 142 detenções, em 2004, para as 263 no ano passado.
Na PSP, o roubo com armas de fogo representou 17 por cento da criminalidade global, sendo que 58 por cento foram praticados na região de Lisboa.
De acordo com os dados citados pelo DN, em 2004 e no ano passado, aumentaram os roubos à mão armada, alguns com sequestro do proprietário.
O director nacional adjunto da PJ Carlos Farinha explicou ao jornal que "o que antes era furto de um carro, agora passou a ser roubo, já que se regista violência".
De acordo com os dados citados pelo DN, o crime contra a autoridade foi dos actos violentos que também teve um aumento significativo em 2005.
A GNR registou uma subida de 22 por cento (mais de um quinto) e o facto é justificado com a maior capacidade de resposta da autoridade, que assim se torna um obstáculo, mas, também, com "sentimento generalizado de impunidade".
O tenente-coronel Albano Pereira, da Chefia de Investigação Criminal da GNR, disse ao jornal, que "tem havido um aumento da capacidade de resposta das forças policiais, que se tornam um obstáculo".
"Quando se intercepta um acto criminoso, os agressores sabem que só têm duas situações: ou são detidos ou tentam fugir reagindo contra a autoridade.
Também o Jornal de Notícias destaca na sua edição de hoje que as agressões aos agentes da autoridade aumentaram no ano passado mais de dez por cento, face a 2004.
Segundo os dados reportando-se à actividade da PSP e GNR que Jornal de Notícias teve acesso, o número de ocorrências mortais manteve-se em quatro casos, os feridos graves e feridos ligeiros diminuíram cerca de 20 a 25 por cento respectivamente, mas as agressões corporais que não obrigaram a internamento hospitalar aumentaram cerca de 40 por cento.
A média geral cifra-se num aumento que ronda os dez por cento, escreve o JN, acrescentando que os números vão fazer parte do relatório nacional de segurança interna.