Crise vai aumentar procura da pílula gratuita nos centros saúde, prevê Associação para o Planeamento da Família
Lisboa, 25 set (Lusa) -- A procura de pílulas gratuitas nos serviços de saúde deverá aumentar com as dificuldades financeiras decorrentes da crise, prevê a Associação para o Planeamento da Família, que alerta para a importância de não haver ruturas de stock.
Na véspera do Dia Mundial da Contraceção, que se assinala na quarta-feira, o diretor executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF) constata que os portugueses têm menos capacidade para comprar, na farmácia, a contraceção, como antes acontecia.
"É muito importante que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) garanta que existem métodos contracetivos disponíveis a quem precisar deles e que não haja falhas e ruturas de stock. Isto é tanto mais importante quanto as condicionantes da situação económica e social que o país vive torna mais nítida a procura da contraceção nos centros de saúde", afirmou à agência Lusa o diretor executivo da Associação, Duarte Vilar.
Para a APF é ainda importante reforçar os programas de informação sobre contraceção junto dos grupos que estão mais afastados dos serviços de saúde: como os jovens e as pessoas em situações de pobreza que se auto-excluem da proteção social.
Também a interrupção voluntária da gravidez (IVG) deve ser aproveitada como "um momento para tentar corrigir um uso menos correto da contraceção ou para evitar situações de risco".
A APF mostra-se ainda preocupada com o eventual fim de projetos na área da educação sexual e contraceção que são desenvolvidos por organizações da sociedade civil: "O Ministério da Saúde informou que não vai abrir concursos este ano. A APF e outras organizações têm projetos a decorrer e, alguns, terminam no fim deste ano. Era muito importante que esses projetos não fossem descontinuados e que estas organizações tenham acesso a apoios financeiros".
Os especialistas na área da contraceção apelam também a um reforço da utilização de outros métodos além da pílula, como o anel vaginal ou o adesivo.
São, no essencial, métodos de duração mais prolongada e que podem ser úteis às mulheres que têm esquecimentos frequentes quando tomam a pílula, que é de toma diária.
Em Portugal, mais de 60% das mulheres escolhem como método contracetivo a pílula, mas existem muitos outros que são menos conhecidos.
Para a APF, os serviços de saúde deveriam dar mais informação sobre as vantagens destes métodos e torná-los disponíveis de forma gratuita.
Também a Sociedade Portuguesa de Contraceção sublinha a importância destes métodos "com pouca procura pela população portuguesa", como afirmou à Lusa Teresa Bombas.
Para esta responsável da Sociedade, na impossibilidade de os distribuir gratuitamente, deveria ser equacionada, pelo menos, a sua comparticipação estatal.