Cronologia do Túnel do Marquês

Principais acontecimentos do projecto do Túnel do Marquês, em Lisboa, com inauguração prevista para quarta- feira, dia 25 de Abril:

Agência LUSA /

Em Outubro de 2001, Pedro Santana Lopes escolhia o prolongamento do Túnel das Amoreiras até ao Marquês de Pombal como a sua primeira promessa eleitoral na candidatura à Câmara de Lisboa pelo PSD.

Seis meses depois, em Abril de 2002, já como presidente da autarquia, Santana Lopes garantia que o túnel ficaria pronto em 33 meses a um custo de 15 milhões de euros.

Logo a seguir, manifestaram-se as primeiras vozes críticas do projecto, entre elas a do PS e do PCP, que punham em causa a segurança do túnel.

Em Maio de 2002, a Câmara Municipal aprovava a construção, por um valor previsto de 19,6 milhões de euros, adjudicada ao consórcio formado pela CME e Construtora do Tâmega.

Ao longo do tempo, surgiam mais detractores: a Ordem dos Arquitectos afirmava em Junho de 2002 que o túnel ia "desfigurar a cidade sem melhorar o trânsito".

A associação ambientalista Quercus exigiu em Janeiro de 2003 a realização de um referendo à construção do túnel.

Em Julho desse ano, o Tribunal de Contas deu luz verde à obra, que começou no dia 18 de Agosto com a retirada dos passeios junto à avenida Duarte Pacheco e várias restrições ao trânsito na zona.

No dia 17 de Janeiro de 2004, o advogado José Sá Fernandes - que viria a ser eleito vereador independente pelo Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa - interpôs uma acção popular contra a construção, alegando falta de estudo de tráfego e de impacto ambiental.

No dia seguinte, o ministro das Obras Públicas e ex-vice- presidente de Santana Lopes, Carmona Rodrigues, negava as acusações.

Em Fevereiro, os ambientalistas que exigiam um referendo ao túnel queixaram-se da obra à Comissão Europeia, invocando a falta do estudo de impacto ambiental.

Apreciada a acção judicial de Sá Fernandes, o Tribunal Administrativo de Lisboa mandou suspender as obras a 26 de Abril de 2004 até à realização do estudo.

No dia seguinte, Santana Lopes mandou parar as obras e alegou que o secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, lhe tinha dito que não era necessária a avaliação de impacto ambiental, argumento utilizado no primeiro recurso da decisão judicial pela Câmara, em Maio.

Em Julho de 2004, Santana Lopes saiu da autarquia para assumir o cargo de primeiro-ministro, enquanto Carmona Rodrigues regressou à Câmara de Lisboa, desta vez como presidente.

No fim de Julho, a Câmara entregou o Estudo de Impacto Ambiental ao Instituto do Ambiente mas em Setembro o Tribunal Central Administrativo do Sul indeferiu os recursos da autarquia, que se manifestou "perplexa".

Os comerciantes da zona do túnel afirmavam estar "desesperados" com os transtornos provocados pela obra, que esteve parada durante cerca de sete meses.

Só no fim de Novembro de 2004 e após novo recurso da Câmara, o Supremo Tribunal Administrativo autorizou o reinício das obras e as máquinas voltaram a trabalhar no túnel no dia 06 de Dezembro, sempre com críticas da oposição na câmara e dos ambientalistas.

Numa visita ao túnel em Agosto de 2005, Santana Lopes, que regressou à presidência da Câmara durante alguns meses após o fim do governo PSD/CDS-PP, dizia que estaria pronto em Abril do ano seguinte.

Em Novembro de 2005, já unidas as duas metades do túnel, José Sá Fernandes voltou a reclamar a paragem das obras, afirmando que faltava um parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, apontando a proximidade entre o túnel e a Linha Amarela do Metropolitano de Lisboa, falta de um projecto de execução viável e inclinação perigosa do túnel.

Carmona Rodrigues respondeu que a Câmara era a principal interessada na segurança das obras e referia que o túnel do Metropolitano tinha de ser reforçado, mas devido à idade, não às obras de escavação do túnel do Marquês.

Em 14 de Dezembro de 2005, o vice-presidente da autarquia, Fontão de Carvalho, falava num prazo para a abertura: Março de 2006 até à rotunda do Marquês e parte da avenida Fontes Pereira.

Sem fixar prazos, Carmona Rodrigues dizia em Março de 2006 que obra só abriria quando estivesse completamente concluída: "quando abrir, abre todo".

A 29 de Março de 2006, o ministério das Obras Públicas condicionava o avanço dos trabalhos ao reforço do túnel do Metropolitano de Lisboa.

Em Abril, a autarquia garantiu que as escavações do túnel rodoviário não provocaram fissuras no Metropolitano.

A 30 de Agosto de 2006, Carmona Rodrigues comprometia-se com Março deste ano para abertura do túnel, significando um atraso de mais de dois anos no prazo previsto inicialmente para a construção.

Sete meses de paragem devido à acção de Sá Fernandes e despesas de obras imprevistas foram os argumentos da autarquia para justificar o atraso e os custos superiores ao previsto.

Em Novembro do ano passado, a autarquia anunciava que iria cobrar uma multa de 3,1 milhões de euros ao consórcio pelos atrasos nos trabalhos.

Já este ano, em Fevereiro, Carmona Rodrigues afirmou que o túnel começaria a funcionar em Abril, excepto um troço de cem metros com saída na Avenida António Augusto de Aguiar, devido à necessidade de obras de reforço, antes, da galeria da Linha Amarela do Metro sob a Avenida Fontes Pereira de Melo.

Para quarta-feira está prevista uma cerimónia de inauguração para que estão convidados vereadores, deputados municipais e o "pai do projecto", Pedro Santana Lopes, e, depois, os lisboetas poderão conhecer a pé o túnel, que demorou quase quatro anos a ser concluído.

Os primeiros automobilistas poderão atravessar o túnel a partir do fim da tarde de quarta-feira.

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